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centro de documentação e informação desportiva de moçambique

Este blog tem como objectivo difundir a documentação de carácter desportivo

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Treinadores apreensivos com o nível de formação

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TREINADORES de basquetebol da cidade de Maputo manifestaram grande preocupação com o nível de formação no primeiro “workshop” por si organizado no último sábado, no Pavilhão do Estrela Vermelha, e que serviu de troca de experiência entre si com vista à melhoria da qualidade competitiva, tendo como finalidade a profissionalização desta disciplina desportiva.

 

Baseado em três temas, nomeadamente marketing desportivo, modelo de jogo para o basquetebol moçambicano e defesa individual, o evento, da iniciativa da “capitã” da Selecção Nacional e treinadora da equipa sénior feminina do Costa do Sol, contou, nesta primeira fase, com a participação de treinadores da capital do país e outros interessados ligados à modalidade.

 

Dissertando sobre o tema modelo de jogo para o basquetebol moçambicano e que mereceu maior atenção dos participantes e mais tempo de debate, o professor António Azevedo, com nível três de formação em basquetebol, disse que antes de atacar o problema devia-se buscar as referências existentes do passado, fazer una retrospectiva do presente e definir o que se pretende no futuro.

 

Alertou, por exemplo, que o modelo de jogo de seniores masculinos é diferente de femininos, o que pode não estar a ser observado por alguns treinadores devido à fraca formação, lembrando, adiante, que o grande objectivo em todo trabalho que é feito pelas equipas tem como último fim ter atletas de qualidade capazes de fazer a diferença na Selecção Nacional.

 

Para o melhor desempenho da Selecção, Azevedo afirmou que é importante conhecer os dados estatísticos das selecções adversárias. Fazendo uma breve comparação entre as selecções participantes no último Campeonato Africano de seniores femininos realizado em Maputo (Afrobasket-2013), o professor Azevedo disse que era imperioso que Moçambique tivesse antecipadamente os dados estatísticos das equipas adversárias tais como a altura média dos bases, extremos e postes para fazer melhor comparação com o que tem ou existe.

 

Por exemplo, a altura média dos postes moçambicanos é de 1,90 metro e, de acordo com António Azevedo, não podem ser sacrificados ou lançados ao fogo, porque, em norma, um poste deve ter acima de dois metros, sendo que atletas com aquela medida são candidatos a postes. Com a crise de postes a solução passa por pôr os atletas com 1,90 a treinarem mais horas.

 

Aliás, a realidade de cada país determina a média da altura dos atletas e esta é uma das razões que concorrem para a adequação de um modelo de jogo no que respeita à característica dos jogadores moçambicanos.

 

MODELO UNIFORMIZADO

 

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Os participantes no “workshop” ora terminado foram unânimes quanto à uniformização do modelo do jogo, de modo a permitir que haja um padrão ou seja a mesma filosofia de treinamento e que permita uma adaptação rápida dos atletas ao sistema de jogo quando chegarem à Selecção Nacional.

 

Foram trazidos vários exemplos de escolas internacionais de basquetebol. Por exemplo, o técnico da equipa sénior masculina do Costa do Sol, Milagre Macome, disse que o que faz a diferença nas equipas são os orçamentos que vão determinar a qualidade de jogadores que cada um dos plantéis terá em virtude da sua capacidade de aquisição de atletas de alto gabarito no mercado nacional e internacional.

 

Intervindo nesta matéria, o professor Azevedo elucidou que um modelo uniformizado não significa implicitamente que as equipas vão jogar à mesma maneira, por que o que faz diferença entre as equipas é o talento individual e colectivo. Porém, permitirá que cada jogador que chegar à Selecção Nacional se adapte facilmente ao modelo do jogo, visto que quem vai traçar o modelo de jogo é o seleccionador nacional em concertação com os treinadores das equipas.

 

COMPONENTE COMPETITIVA

 

O professor Azevedo chamou atenção para os procedimentos que se devem ter em conta nos escalões de formação relativamente às componentes técnica e táctica, ou seja, o que se deve fazer, por exemplo, com uma equipa de iniciados nas questões defensivas e ofensivas. Segundo o orador, essas questões devem ser levantadas antes de se ir à acção, sendo que há particularidades que se devem ter em conta na formação, porque ela difere da alta-competição.

 

Quanto ao modelo de jogo para seniores, Azevedo anotou que é preciso ter especialistas, por exemplo, atletas abalizados para lançamentos triplos (lançadores de três pontos) e capazes de defender postes.

 

BÁSQUETE MOÇAMBICANO NÃO SE SERVE DA ACADEMIA

 

Um dos participantes questionou se a academia era aproveitada pelo basquetebol moçambicano ou continuava-se a trabalhar empiricamente. Em jeito de resposta, o professor Azevedo recordou que desde a Independência, em 1975, o desporto estava nas escolas e apontou para a importância da academia virar-se ao basquetebol com vista à profissionalização da modalidade.

 

A conclusão a que se chegou é de que são poucos que saem das Faculdades da Educação Física e Desporto para o basquetebol. Por outro lado, constatou-se que a maioria são poucos os treinadores com alto nível de treinamento e que alguns, senão a maioria, continuam a treinar empiricamente por falta de formação. Por exemplo, o professor Azevedo é um dos poucos com nível 3 de treinamento.

 

Neste ponto, António Azevedo foi peremptório ao afirmar que quem não tiver formação não deve treinar.  

Um treinador que se preze deve ter formação, e uma vez formado deve ir à reciclagem pelo menos uma vez por ano”, frisou.

 

SALVADOR NHANTUMBO

 

Fonte:Jornal Noticias

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