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centro de documentação e informação desportiva de moçambique

Este blog tem como objectivo difundir a documentação de carácter desportivo

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07.Jun.18

2018 é o ano recorde de chicotadas psicológicas

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Quando uma equipa não carbura como deve ser, como é da vontade da direcção e dos adeptos, e perde pontos atrás de pontos, a culpa sempre recai no treinador. O sacrificado é o treinador.

 

As estatísticas das chicotadas psicológicas no campeonato nacional de futebol, o Moçambola, pelo menos até a 10ª jornada, nos últimos quatro anos, revelam que em 2018 tivemos mais treinadores afastados dos respectivos comandos técnicos do que nos três anos anteriores.

 

Ao todo, foram seis, os treinadores corridos este ano até a 10ª jornada. Para alguns, a maioria, os maus resultados foram os motivos do seu afastamento, mas para outros, as condições de trabalho estiveram por detrás do seu afastamento.

 

Saga iniciou em Abril

 

A saga das chicotadas psicológicas, este ano, começou em Abril, quando o Costa do Sol rescindiu com a dupla argentina Fabio Costas e Dardo Valenzuela. O português Horácio Gonçalves foi chamado para comandar a “canarinha”. Seguiu-se Rogério “Zulu” Balate, despedido do Ferroviário de Nacala, tendo sido chamado Sérgio Faife para o seu lugar. Mas Sérgio Faife foi lá ao Ferroviário de Nacala porque demitiu-se do Desportivo de Nacala, por mau ambiente de trabalho. Nos “canarinhos” de Nacala está lá, agora, José Augusto, a liderar o ninho.

 

Zulu porém não ficou desempregado, porque logo a seguir foi chamado ao Sporting de Nampula, onde foi substituir Danito Nhamposse, demitido por maus resultados.

 

Do role das chicotadas psicológicas, Chiquinho Conde foi o último, esta segunda-feira, numa demissão que arrasta consigo os membros da direcção, liderada por José Costa, que também abandonam a direcção em massa, devendo a equipa nomear uma comissão de liderança até a marcação de eleições.

 

Mas de permeio houve uma saída voluntária por motivos ainda maiores. Victor Matine deixou a UP de Manica para se juntar ao projecto dos Mambas, onde assume o comando da selecção sub-20 e coadjuvando Abel Xavier na selecção principal.

 

Ao todo foram seis os treinadores que deixaram os seus comandos, sendo que três deles já estão a comandar outras equipas, nomeadamente Sérgio Faife, Antero Cambaco e Rogério “Zulu” Balate. Fabio Costas, Danito Nhamposse e Chiquinho Conde ainda não tem afectação em nenhum clube.

 

Estes seis formam o maior número de treinadores dispensados nas primeiras 10 jornadas dos últimos quatro anos. Seguem-se as chicotadas de 2016, quando nas primeiras 10 jornadas cinco treinadores foram corridos dos respectivos bancos de suplentes. O Chingale de Tete tinha sido a equipa que mais técnicos havia despedido, em número de dois, nomeadamente Abdul Omar e Mussá Osman. Nacir Armando também tinha sido corrido do Ferroviário de Nacala, António Sábado, do 1º de Maio de Quelimane e Sérgio Faife do Costa do Sol.

 

2015 e 2017 com menos treinadores demitidos até à 10ª jornada

 

Há quatro décadas atrás, em 2015, o Moçambola começou a ter chicotadas psicológicas em Abril, quando Lucas Barrarijo foi afastado do comando técnico do Ferroviário da Beira, por maus resultados, deixando a equipa abaixo da linha d´água, ainda com seis jornadas disputadas. Seguiu-se Antero Cambaco, no dia seguinte à demissão de Barrarijo, também pelo mesmo motivo, ser despedido do Desportivo de Maputo. Wedson Nyirenda e Dário Monteiro foram seus substitutos.

 

No mês seguinte, mais dois treinadores caíram, mas desta feita dois portugueses. Victor Urbano, no Clube de Chibuto, e Victor Pontes, no Ferroviário de Maputo, também não resistiram e acabaram demitidos. Para os seus lugares foram Lopes Cumbane e Carlos Manuel, respectivamente.

 

Já no ano passado, até à 10ª jornada apenas três treinadores tinham sido corridos dos seus clubes.

 

O primeiro deles foi Abdul Omar, que se demitiu do comando do Textáfrica de Chimoio devido a mau ambiente de trabalho, tendo na altura alegado falta de comunicação com a direcção e ameaças de mortes.

 

Seguiu-se Sebastião Sitói, afastado da Associação Desportiva de Macuácua por alegados maus resultados. Sitoi tinha sido responsável por levar a equipa de Mandlakazi ao escalão máximo do futebol moçambicano, mas não aguentando a pedalada do Moçambola.

 

Para fechar a sequência das chicotadas nas primeira 10 jornada, foi Mussá Osman a ser enviado para fora do ninho do “canário” de Tete. O Chingale alegava, também, maus resultados para este afastamento. E para seu lugar foi buscar o português Carlos Graça, para assumir o comando.

 

Só há 13ª jornada é que se verificou a quarta chicotada quando Daniel Portela foi corrido do Clube de Chibuto, tendo sido chamado para o seu lugar Artur Semedo.

 

Ao todo, nas primeiras 40 jornadas dos campeonatos nacionais de futebol de 2015, 2016, 2017 e 2018, deixaram os respectivos comandos técnicos das equipas que milita(va)m no escalão máximo do futebol nacional, 18 treinadores, um número elevado, quando se tem em conta que as primeiras 10 jornadas não determinam a posição de nenhuma equipa ao fim da época.

 

 

Fonte:Opais