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centro de documentação e informação desportiva de moçambique

Este blog tem como objectivo difundir a documentação de carácter desportivo

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Este blog tem como objectivo difundir a documentação de carácter desportivo

FMF promete enviar vídeo à CAF

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DISPUTAR uma eliminatória contra as ditas poderosas selecções africanas passou a ser uma luta praticamente dada como perdida. É que para além de travar forças contra essas equipas (teoricamente superiores) é necessário enfrentar o adversário mais perigoso, as equipas de arbitragem.

 

A Selecção Nacional de Futebol Sub-23 (os “Mambinhas”) sentiu bem na pele a actuação tendenciosa da arbitragem na derrota com o Gana (2-0), uma semana depois do Ferroviário da Beira ter sido “roubado” pelos homens do apito na eliminatória com o AS Vita da RD Congo, o que lhe valeu a eliminação da Taça CAF.

 

Sobre o jogo de domingo com o Gana, o presidente da Federação Moçambicana de Futebol (FMF), Feizal Sidat, assegurou que irá enviar o vídeo do jogo (destacando os três penaltes não assinalados) para a CAF em jeito de protesto com a equipa de arbitragem do Burquina-Faso, liderada por Juste Ephrem.

 

Vamos pedir as imagens à TVM e enviar à CAF. Não estávamos à espera que o jogo seja repetido porque não houve um erro de direito (erro que resulta da violação das regras do jogo). Houve sim vários erros de facto que influenciaram directamente no resultado. Queremos apenas que a CAF penalize a equipa de arbitragem pelo mau trabalho prestado”, frisou.

 

Extremamente irritado com esta situação, o presidente da FMF prometeu levar o assunto às reuniões da CAF. “Quando for à reunião da CAF falarei sobre a má actuação do árbitro e forma como ajudou o Gana. Mas eu já esperava que a atitude dos árbitros fosse essa. Superámos o Gana e merecíamos a qualificação”, arrematou. 

 

 

Fonte:Jornal Noticias

Benfica lança plataforma de angariação de sócios

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O SPORT Lisboa e Benfica vai lançar dentro de dias um projecto de angariação de sócios em Moçambique, na sequência do trabalho que tem vindo a desenvolver noutros países lusófonos ou com muitos lusodescendentes, visando aproximar o clube dos adeptos.

 

No nosso país o projecto está sob gestão da empresa Estratégia Moçambique, que, segundo o presidente da sua Comissão Executiva, Asssif Sadrudine, visa a penetração dos mercados geograficamente distantes pela marca Benfica.

 

 “Moçambique claramente é um desses mercados. Há muitos adeptos do Benfica neste país, que querendo poderão adquirir o Kit Novo Sócio em qualquer lugar, à qualquer hora”, frisou Sadrudine.

 

Sob o lema “Benfica à sua Porta”, o projecto pretende, por outro lado, que o sócio, adepto e simpatizante daquele clube possa comprar os produtos do Benfica e tornar-se associado em condições exclusivas a partir da sua casa.

 

Desta forma, imagem do que acontece em Portugal, onde os produtos do Benfica são vendidos em todo o lado e à qualquer hora, Moçambique ingressa nesse baluarte e espera-se que haja benefícios mútuos”, reforçou.

 

 “Ao longo dos últimos anos a ‘Estratégia Moçambique’ tem vindo a desenvolver projectos de forte impacto comercial e estratégico a nível nacional, o que de alguma forma permite que sejamos, sem qualquer dúvida, uma estrutura credível, com provas dadas e acima de tudo com uma conduta e carácter empresarial baseada em muita competência, seriedade, valores e ética. Somos um parceiro local do Benfica para Moçambique, Africa do Sul e Angola, a título de exclusividade pela gestão de parceiros comerciais nestes três pontos do continente”, afiançou.

 

O Kit Novo Sócio poderá ser adquirido em todo o país, fruto da parceira que os gestores do projecto têm com a empresa Correios de Moçambique, que garante o transporte das encomendas.

 

O “Benfica à sua Porta” baseia-se em dois grandes pilares, nomeadamente na comercialização de merchandising oficial do Benfica, bem como na angariação de sócios em condições especiais única e exclusivamente através de venda direta “porta-á-porta,” cara-a-cara” em segmento residencial e empresarial, ambos a nível mundial.

 

 “Temos como objectivo até ao final do primeiro ano de contrato empregar 1100 promotores comerciais, pelo menos 100 por província, o que terá impacto nas vidas de muitas famílias moçambicanas e nos deixa extremamente felizes por poder contribuir”, apontou Sadrudine.

 

O “Benfica à sua Porta” será lançado oficialmente nos finais deste mês, num acto que contará com a presidente dos dirigentes do clube português. O projecto conta com parceiras do Conselho Nacional da Juventude, Shop From Home, Correios de Moçambique e a Sociedade do Notícias.

 

 

Fonte:Jornal Noticias

Manhã inédita e animada de râguebi no Chiango

PERTO de 160 crianças viveram na manhã de sábado um momento inédito e animado no campo da ADPP, bairro do Chiango. Este recinto foi palco, pela primeira vez na história do desporto moçambicano, de um jogo de râguebi, uma experiência nova para os petizes das escolas da Costa do Sol, Chiango e ADPP.

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A iniciativa é da empresa de segurança G4S, que no âmbito da sua obrigação social estabeleceu uma parceria com a fundação norte-americana “Bhubesi Pride Foundation”, responsável pela implementação de râguebi em diversos países de África.

 

No âmbito dessa aliança entre as duas empresas, técnicos norte-americanos da referida modalidade estarão na capital do país para formar técnicos nacionais para que estes dêem seguimento ao trabalho de preparação das crianças para uma modalidade que, de acordo com o administrador da G4S, Pedro Baltazar, tem pernas para andar. “Nós lançámos apenas a semente. Pensamos ser esta uma modalidade atractiva. É jogada em muitos países. Na África Austral, Moçambique e Angola são capazes de ser os únicos países que não têm esta modalidade”, afirmou, ajuntando que a competição é importante para educação e disciplina das crianças.

 

O representante da Bhubesi Pride Foundation, Richard Bennett, mostrou-se satisfeito com a aderência de praticantes, o potencial e a facilidade das crianças assimilarem as regras do râguebi, uma modalidade muito pouco conhecida nos meandros desportivos nacionais. “Existe um interesse grande das crianças em jogar râguebi. Podemos ver aqui que há um grande número de praticantes. Estamos numa fase experimental. Durante seis dias estaremos cá para passar as regras da modalidade a oito professores que terão a tarefa de passar tudo que aprenderam às crianças. Iremos ver qual o grau de assimilação e aderência nos próximos tempos”, considerou.

 

Por sua vez, Silvano Macameiro, da Direcção Nacional dos Desportos, em representação do Governo, é de opinião que esta modalidade deve vir para ficar. “É uma mais-valia, porque é virada para as crianças e por isso deve ser acolhida e estendida para outras escolas”, arrematou.     

 

Falando ao “Notícias”, o director da escola ADPP, Américo Nhalungo, uma das instituições escolhidas para fazer parte deste acontecimento, disse que “este acontecimento tem um significado enorme, pois se trata de algo inédito e que envolve crianças”.   

 

 

Fonte:Jornal Noticias

Fim-de-semana glorioso

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O FIM-DE-SEMANA futebolístico foi glorioso, de uma forma geral, para os jogadores moçambicanos que actuam no estrangeiro. De Portugal, para França, passando por Angola, há registos de vitórias para as equipas onde militam os nossos compatriotas. Porém, alguns foram excepção. Há derrotado e, pelo meio, um empate comprometedor.

 

ZAINADINE VITORIOSO MAS EXPULSO

 

Em Portugal um misto de alegria e tristeza para o defesa internacional moçambicano Zainadine Júnior que viu o seu Nacional a vencer o Gil Vicente na Choupana por 3-2, numa partida em que foi expulso por acumulação de amarelos.

 

Titular indiscutível dos insulares, Zainadine tem vindo a fazer uma boa campanha no futebol português, o mesmo acontecendo com o seu Nacional, que já é nono classificado do campeonato, com 36 pontos. Tudo em aberto para a equipa comandada por Manuel Machado lutar por lugares que dão acesso à Liga Europa.

 

MEXER PROSPERA

 

Depois da vitória na semana anterior, na qual marcou um dos golos, Mexer voltou a triunfar na França. O seu Rennes recebeu e derrotou o Guingamp por uma bola sem concorrência. O resultado deixa a equipa do central moçambicano na nona posição, com 45 pontos. A Liga francesa caminha para o fim, é certo que os lugares que dão acesso às competições europeias estão praticamente perdidos, mas não deixa de ser digna de realce a campanha feita pelo Rennes.

 

JUMISSE VENCE TRIO DE MAQUIS PERDE

 

O 1.º de Agosto de Luanda, clube onde evolui o trinco moçambicano, Eduardo Jumisse venceu 2-0 na recepção à Sagrada Esperança, em partida da oitava jornada do Girabola, o principal campeonato de Angola.

 

Com o triunfo, o 1.º de Agosto passou para a sétima posição com 11 pontos, ainda longe dos lugares para os quais luta. Aliás os “militares” são crónicos candidatos ao título em Angola. O mau início de temporada está a ser bastante penalizador para Jumisse e companhia.

 

Entretanto, ainda naquele país da costa atlântica, o trio constituído por Miro, Josimar e Sonito viu o seu Bravos de Maquis a vergar aos pés do Progresso de Sambizanga, por 1-0. Mais uma derrota para os “diamantíferos” que agora caíram para o oitavo lugar, com 10 pontos.

 

DOMINGUEZ EMPATA

 

Na Liga sul-africana, o Mamelodi Sundowns de Dominguez não foi para além de um empate a uma bola frente ao Black Aces, em partida da 25.ª ronda do campeonato local. A igualdade complica as contas dos “canarinhos’’ que continuam na perseguição ao Kaizer Chiefs no topo da classificação. O Sundowns está na segunda posição com 47 pontos, menos dois que o líder Chiefs que tem, entretanto, mais um jogo. Para o fim da prova restam apenas cinco jornadas.

 

 

Fonte:Jornal Noticias

Basquetebol parou no tempo e precisa de ser resgatado

 

 

 

 

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A CAPITÃ da Selecção Nacional Sénior Feminina de Basquetebol, Deolinda Ngulela, é uma das grandes referências da modalidade. Com mais de 20 anos de carreira, sete dos quais nos Estados Unidos da América (EUA), Ngulela é dos exemplos a seguir. Atleta de mão cheia e talvez a única que de todas gerações ao nível de basquetebol sénior feminino atingiu o estágio mais elevado, ao assumir na presente temporada o duplo papel de treinadora-jogadora pelo Costa do Sol, clube que acaba de abraçar.

 

Deolinda Ngulela está no basquetebol desde a infância, aos nove anos, por influência de vizinhos. A sua primeira equipa foi o extinto Banco Popular de Desenvolvimento (BPD), onde entrou nos escalões de formação. Passou pela Académica, onde ganhou o título de campeã africana de clubes, e pelo Desportivo, depois foi aos EUA para no regresso alinhar pela ex-Liga Muçulmana de Maputo, actualmente Liga Desportiva de Maputo. Inteligente e disciplinada, Deolinda Ngulela fala na presente entrevista do seu percurso e experiência como jogadora, da trajectória e dos sucessos alcançados no basquetebol, dos seus sonhos e do desejo de ver um dia a modalidade profissionalizada, o que passa, primeiro, pela formação, reestruturação e promoção do desporto escolar, tornando-o num movimento forte e regular com vista a alimentar a alta-competição. O papel do Governo é, segundo a entrevistada, crucial para a concretização deste objectivo, deixando a missão da profissionalização para os clubes, com o incremento da qualidade competitiva de modo a atrair cada vez mais o empresariado, visto que a matéria para o efeito estará disponível com os talentos que sairão do desporto escolar. Nas linhas que se seguem trazemos o pensamento da atleta sobre a modalidade, a visão sobre o futuro da modalidade, que, no seu entender, parou no tempo.   

 

NOTÍCIAS (NOT) -Como é que olha para esta experiência de treinadora-jogadora. Já pensou assumir, um dia, este duplo papel?

 

Deolinda Ngulela (DN)- Dizer que não é uma situação fácil, principalmente no início, porque queres que as pessoas entendam a sua filosofia de trabalho. Então, estás a lidar com 15 cabeças com pensamentos diferentes a pensarem como tu queres, o que não é fácil. Primeiro, este grupo é novo, uma parte se conhece outra não. E para criar o hábito e confiança entre elas torna-se uma tarefa difícil. Sabia que não seria tarefa fácil mas resolvi aceitar o desafio; o desafio se calhar viesse de uma parte de ser só treinadora não sei se seria aliciante para mim como foi depois que colocaram a possibilidade de eu fazer as duas coisas. Não é fácil, mas não vejo por que não fazê-lo, então eis-me.

 

NOT -Como é que aceitou este desafio, foi de livre vontade ou teve alguma pressão ou encorajamento para alinhar nesta dupla missão?

 

DN - Primeiro fazer a correção. Tenho o nível I de formação como treinadora feita aqui em Moçambique sob tutela do senhor Nelson Isley. E para além disso tive dois anos de experiência nos Estados Unidos da América (EUA) como treinadora-adjunta de uma equipa de basquetebol. Então não foi uma decisão que veio ao acaso. Não sou a mais experiente, mais tenho um bocadinho de experiência de treinadora-jogadora. Mas não é fácil, pois os grupos de trabalho são completamente diferentes, as condições de trabalho também, mas mesmo assim decidi abraçar este desafio.

 

NOT -Houve alguma motivação ou pensava fazer a mesma coisa logo que terminar a carreira de jogadora?

 

DN-Muita gente, incluindo colegas, incentivava-me, dizendo que tenho dom. E foi para mim interessante porque quando esse convite chegou as minhas colegas que agora são minhas jogadoras já me haviam sugerido. Disseram que não viam a melhor pessoa se não eu, porque tenho características e dom para tal. Então, já havia essa motivação, mas eu nunca tinha levado a sério.

 

NOT -Nunca pensou um dia ser adjunta do seleccionador nacional Nazir Salé, sendo uma pessoa que sempre depositou uma forte confiança em ti?  

 

 

DN- Isso não posso dizer, porque dependeria do convite dele. Mas havia este desejo de eu ser treinadora, fosse onde fosse, seja nos escalões de formação. Como adjunta dele não sei. Isso só ele pode dizer. Ele também sempre disse que eu daria uma boa treinadora.

 

NOT -E nesta primeira experiência, ou seja, nestes primeiros meses no Costa do Sol, qual é o sentimento que tem no contacto com jogadoras como treinadora e atleta. Quais são os resultados dessa experiência e como olhas para o futuro?

 

DN- Tenho jogado de vez em quando mas, como disse, fica um bocadinho difícil por causa do maior tempo que dedico ao treinamento. Gasto mais tempo a ensinar e supervisionar o ensinamento. Por isso pouco faço como atleta com o grupo, mas faço individualmente. Mas na medida que tenho a possibilidade de lá estar, por exemplo, num exercício no qual não tenha que intervir muito, ou seja, que elas dominam, estou com elas no campo e faço o papel à vontade.

 

NOT -Que resultados já registou desde que assumiu o comando técnico do Costa do Sol?

 

DN -Em seis jornadas, no Campeonato da Cidade, ganhei quatro jogos e perdi dois frente ao Ferroviário e A Politécnica.

 

NOT -Recentemente houve um “workshop” sobre treinamento em basquetebol, por sinal organizado por si, e pela primeira vez na história da modalidade. Qual era a finalidade?   

 

 DN- Penso que há necessidade de intercâmbio na área técnica ao nível do basquetebol. Penso que é momento de viragem, porque a modalidade está a tomar um rumo não desejável e nós temos a possibilidade de virá-lo. Em vez de apontar o dedo uns aos outros e pensar que quem deve fazer é este ou aquele, pensei que devemos ser nós os treinadores a tomar a iniciativa para melhorar a situação em que a modalidade se encontra hoje. Vejo que o que falta não é o querer, mas sim a ausência de diálogo e essa primeira sessão mostrou isso. As pessoas estão satisfeitas, querem dialogar e aprender umas das outras. Infelizmente não tem havido muitas sessões de formação, o que é uma das grandes preocupações que vamos ter em conta nos fóruns que se seguirão. E é uma das coisas que eu e a Associação Moçambicana de Treinadores de Basquetebol vamos abraçar para mudar a situação.

 

NOT - Então esta pode ter sido uma estratégia sua de querer colher a experiência de outros para poder consolidar os conhecimentos que tem nesta sua nova carreira de treinadora?! 

  

 

DN- Eu sempre quis aprender dos outros. Aprende-se todos os dias, por mais que a gente esteja na modalidade há 15 ou 20 anos como jogadora ou treinadora. Há sempre um bocadinho do que podemos aprender dos outros. Então pensei, por que não podemos ter esse espaço, por que não podemos perguntar, por exemplo, ao outro treinador o que ele faz para a sua equipa ser ganhadora, para defender e atacar bem. O que devo fazer para superar estas dificuldades. É essa troca de experiências que deve haver. As pessoas às vezes transportam consigo alguns preconceitos ao pensar por exemplo que ele é meu adversário, a informação que for a dar pode prejudicar a minha equipa. No fundo temos jogadores diferentes e cada um tem as suas habilidades ou qualidades e pensa como pensa.   

 

NOT -Quer também dizer que teve esta constatação de que há esta lacuna, ou seja, que existem treinadores sem formação suficiente para poder melhor lidar com esta área de treinamento?

 

DN- Exacto. E para dizer a verdade, o basquetebol é, em qualquer parte do mundo, considerado uma modalidade de elite. Mas felizmente nós temos aqui pessoas com muita vontade e disponibilidade, que dão todos os dias por este basquetebol, mas não têm a possibilidade de se formarem fora. São poucos os que têm a possibilidade de tirar o dinheiro do seu bolso para se formarem no estrangeiro. Não se ganha muito com o basquetebol e as pessoas têm que fazer trabalho extra e nem com esse trabalho extra conseguem ganhar o suficiente para poderem ter essas formações. É uma das grandes preocupações. Existem pessoas e vários treinadores que entram para lidar com a formação sem formação e sem possibilidades de meios próprios para fazer uma formação. Essa vai ser uma das minhas batalhas para tentar trazer pelo menos alguém que nos possa formar um ou mais treinadores ou formadores que possam vir aqui formar se possível a custo zero ou mediante pagamento simbólico.     

 

ESTUDAR: CONDIÇÃO PRIMÁRIA PARA SER JOGADOR

 

NOT -Pode falar um pouco da sua experiência nos EUA, o tempo que ficou, em que equipas jogou, o que lá se faz que é diferente do que é feito aqui em Moçambique?

 

 

DN- Fui aos EUA pela mão de Nelson Isley, na altura seleccionador nacional (2003). Fiquei sete anos, dos quais joguei quatro. A diferença entre o que se faz lá e cá é abismal. Só para começar, o basquetebol é feito na escola e é levado muito a sério. O desporto é levado muito a sério quanto a escola. E uma das condições para praticares o desporto é estudar, partindo do pressuposto de que para se ser um bom jogador é preciso ter um pouco de escolaridade. Deve-se ter a mente a funcionar constantemente. Então, o nível é completamente diferente, não existem problemas de condições e de infra-estruturas. Há bolas, campos e equipas para jogarem a todos os níveis. Por isso a organização é completamente diferente.

 

NOT -Qual é o nível que se exige nos EUA para se ser treinador de basquetebol, seja universitário ou profissional, e qual a experiência que tiveste como treinadora-adjunta?

DN- Deve-se ter formação superior em Educação Física e obter os vários cursos para elevar o nível. Aliás, as pessoas vão aos cursos não necessariamente para obter formação, mas sim experiência. Porque eles têm uma abordagem completamente diferente. Se uma pessoa tem formação em Educação Física pode orientar uma equipa e vai ganhando experiência com o tempo e com o nível de competição que lá existe. E ganhei bastante experiência porque passei por tudo isso que lá é constantemente promovido.

 

FALTA PROACTIVIDADE EM MOÇAMBIQUE

 

NOT -Fora a formação, o que acha que falta no basquetebol moçambicano?

 

 

DN- Acho que falta a proactividade da nossa parte. Concordo que existem dificuldades. Dificuldades existem em todas áreas, mas temos que saber superá-las. Primeiro é saber trabalhar com o que temos. Se quisermos ter o melhor temos que primeiro fazer. Só assim podemos progredir. O basquetebol não tem exposição em Moçambique, mas também não temos boas equipas que nos permitam vender a imagem da modalidade. Se não tens qualidade como é possível trazer exposição? Há algum tempo perguntei ao Carlos Aik o que havia de diferente no passado comparativamente ao que existe na actualidade e ele disse uma coisa que é certa: a dedicação. Dedicação por parte dos treinadores e atletas. Eu não me lembro de ter faltado no meu tempo a um treino porque tinha exame, missa ou simples tosse. Hoje os atletas faltam ao treino por coisas insignificantes. Imagine eu como treinadora que às vezes não tenho tempo de planificação porque estou envolvida em várias actividades. Mas estou sempre à disposição para exercer as minhas tarefas. Tudo bem, os tempos são outros, mas sou de opinião que pelo facto de o mundo ter evoluído devíamos encarar as coisas com mais seriedade e outra abordagem. Hoje temos tecnologias extremamente avançadas. É possível ir à internet pesquisar qualquer coisa que queremos para elevar os nossos conhecimentos na área em que estamos envolvidos. Não vejo a dificuldade que um treinador teria para fazer, por exemplo, a sua planificação. 

 

É PRECISO MUDAR DE ATITUDE

 

NOT -O amor à camisola parece ter ficado para trás. Hoje há tendência de fazer algo em troca de alguma coisa. O que tu pensas que, mesmo havendo necessidade de as pessoas (atletas/treinadores) serem renumeradas deviam fazer a bem do basquetebol ou do desporto no geral? Lembro-me que no passado não haviam estas condições que os jogadores e treinadores têm actualmente…

 

DN- Exacto, eu também passei por essa fase. Houve tempos que treinávamos de segunda a segunda e não tínhamos nenhuma renumeração, mesmo depois do jogo. Mas são tempos diferentes, não podemos negar as mudanças e uma das coisas que continua a acontecer no basquetebol é a falta de dedicação. O basquetebol parou no tempo. Hoje são os atletas e treinadores que exigem remuneração pelo trabalho que fazem, amanhã haverá outra mudança. Eu defendo que as mudanças devem ser ajustadas. Infelizmente é assim, há quem jogou por amor à camisola e deu tudo em troca de nada e hoje as pessoas são renumeradas e isso nem é mau. Claro que mudou o tempo de amor à camisola, mas vamos ajustar. Os clubes devem mudar de atitude e as mentalidades dos treinadores e atletas devem também mudar porque isso faz parte do progresso e com o tempo sempre acontecerão mudanças. Chegará a altura em que se dirá: não jogaremos sem que os clubes se profissionalizem. Os clubes e as pessoas devem se ajustar, pois só assim o desporto crescerá.   

 

NOT -Fora a componente financeira, o que é que os clubes deviam fazer mais para tornar as suas equipas profissionais?

 

 

DN - Acho que não depende só dos clubes. Infelizmente isso tudo tem outra parte, que é a componente financeira, que pode não depender do clube, na impossibilidade deste se auto-sustentar. Tem a ver com patrocínios. Felizmente estamos numa fase em que estão a entrar no país muitos investidores e estão a surgir novas empresas. Se tivermos uma boa qualidade de jogadores, de competição, vamos poder fazer a exposição da modalidade. São as televisões que quererão filmar os jogos e as pessoas já terão vontade de assisti-los do que esperar pelos campeonatos africanos, como aconteceu no Afrobasket Maputo-2013, para fazer enchentes. É isso tudo que vai atrair os patrocinadores. É aí onde os clubes poderão aliciar os investidores, porque terão a capacidade de encher as bancadas. Então, é a combinação das duas coisas que fará a modalidade crescer, nomeadamente a qualidade do trabalho nos clubes e da competição e a parte financeira que virá com os patrocinadores. Uma das coisas que costumo questionar é: por que não fazemos o que todo o mundo faz actualmente, que é o desporto nas escolas cabendo aos clubes a profissionalização? Com que sustento não posso dizer mas se pudermos fazer isso aí o profissionalismo virá com mais facilidade. Porque a qualidade anda nas escolas, onde tens as crianças. Com um trabalho sério nas escolas teremos uma rotatividade constante de atletas e novos talentos aparecerão.

 

DEVE-SE PROMOVER O DESPORTO ESCOLAR

 

NOT -Então o desporto escolar, naquilo que é o figurino dos Jogos Desportivos Escolares, não chega a preencher o que estás a equacionar?      

 

DN -Veja por exemplo o Basket Show. Se é possível encher a casa todos os fins-de-semana com este tipo de competição podemos ter um grande movimento de talentos. É por aí onde estou a tentar pegar: um movimento mais alargado e regular ao nível das escolas, onde teremos uma grande plateia. Porque são os meninos da escola que enchem os campos quando acontece o Basket Show ou os Jogos Escolares. Vamos ver como podemos fazer isso.

 

NOT -Estás a chamar à responsabilidade do Governo esse papel de ser a Educação, ou seja, o Ministério da Educação e Desenvolvimento Humano a tomar a dianteira neste processo?   

 

DN- Não necessariamente. Aqui há uma componente dupla. Eu acho que a Educação pode se aliar ao Ministério da Juventude e Desportos neste processo. Eles devem saber como fazer o casamento.

 

NOT -Qual é, no teu entender, o papel que o Governo deveria prestar ao desporto de modo geral para complementar, por exemplo, aquilo que é o papel de uma federação ou clube?

 

 

DN - Eu noto a disposição ou um bocadinho de mais entrega ou apoio quando se trata de selecções nacionais. Não conheço quais são os requisitos do Governo, ou seja, onde começa e termina a sua responsabilidade, assim como quando se trata de federação ou clube. Pelo menos ao nível de selecção temos tido apoio e não sei se é só este o papel do Governo e quais são os seus limites de intervenção. O que posso dizer, sem fundamentar, é que vejo muitas empresas a nascerem em Moçambique, várias fundações e cada vez mais investidores estrangeiros. Não sei como isso poderia ser viável, mas se alguém de direito pudesse dizer, aos empresários estrangeiros, por exemplo, que se quiserem montar as suas empresas no país devem, como uma das condições, apoiar o desporto desta ou daquela maneira já seria bom.     

   

NOT -Podes falar da tua carreira, por que clubes passou e quantos títulos conquistou… e se ao abraçar a carreira de treinadora-jogadora estará a caminhar para o fim da sua carreira como atleta?

 

DN-  Já não me ocorre na memória exactamente quando comecei a jogar, mas foi com oito ou nove anos, por aí ao fim da década 80 e princípios da de 90, por influência de vizinhos. O meu primeiro clube foi o ex-BPD (Banco Popular de Desenvolvimento), onde tive o primeiro e segundo anos de iniciação. O BPD era um clube federado e tinha a iniciação e uma equipa de seniores femininos na altura. De lá fui à Académica, onde saí em 2001 quando já era sénior e depois de ter ganho o meu primeiro Campeonato Africano. Da Académica fui ao Desportivo, onde fiz uma época apenas e depois fui jogar nos Estados Unidos, onde fiquei sete anos. Quando voltei entrei na Liga Muçulmana de Maputo e aqui joguei duas épocas, antes de passar para o Costa do Sol, minha actual equipa.

 

NOT -Quantos títulos nacionais conseguiu ao longo da sua carreira e quantos anos tem no basquetebol?    

 

DN- Não me vêm à mente, mas maior parte deles foram no escalão sénior. Na formação não me lembro de ter ganho um. Foi na Académica, no Desportivo e na Liga Muçulmana que fui campeã. Tenho mais de 20 anos a praticar basquetebol.

 

NOT -O que significam para ti mais de 20 anos como atleta. Houve algo ao longo da carreira que te terá levado a pensar em desistir da prática da modalidade?  

 

 

DN -O tempo passa tão depressa. Dizer que já passei por todas as fases, várias situações, portanto sou uma atleta completa e cheia de experiência. Nunca pensei em desistir, mesmo quando as situações não fossem favoráveis. Sempre encarei tudo como um desafio, olho para o basquetebol da mesma maneira que encaro a vida. As coisas nunca te vão ser fáceis ou entregues. Tens que buscar, ir à luta e procurar. Então, quando tu encontras um obstáculo não deves desfalecer, mas sim levantar e enfrentar. Para mim as coisas nem têm de vir fáceis. Devo ir buscá-las para dar mais valor. Até o próprio básquete deu-me isso e nunca tive motivo para desistência.

 

SALVADOR NHANTUMBO

 

Fonte:Jornal Noticias

 

 

Liga Desportiva goleia e aperta Maxaquene

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A LIGA Desportiva de Maputo goleou sábado o Desportivo de Nacala por 5-0, em jogo da quinta jornada do Moçambola-2015, dando pulo do quarto para o segundo lugar, agora no encalço do Maxaquene, que ao receber e derrotar o 1.º de Maio de Quelimane por 2-0 lidera a prova com 12 pontos.

 

Com a derrota, os nacalenses, que, com Maxaquene e Ferroviário de Maputo formavam a anteceder esta ronda o trio da frente igualados em pontos, passaram para a quarta posição mas com os mesmos pontos que os “locomotivas” das capital (9), que não jogaram em virtude de o seu adversário da jornada, o Ferroviário da Beira, ter contribuído com mais de dois jogadores na Selecção Nacional de Futebol de Sub-23, que ontem foi eliminada pelo Gana na corrida para os Jogos Africanos Congo-Brazzaville-2015. O encontro entre “locomotivas” foi transferido para o dia 22.

 

Destaque vai igualmente para a vitória do Ferroviário de Nampula sobre o Desportivo, ontem, na capital do norte. Com a vitória os “locomotivas” nortenhos saíram da cauda, ocupando actualmente a quinta posição, mas com os mesmos pontos (seis) que os seus homónimos da Beira e de Quelimane mais o HCB.

 

O Ferroviário de Quelimane foi ontem carrasco do HCB. Ganhou em casa por 1-0. Enquanto isso, o Costa do Sol foi travado também ontem com empate pelo Ferroviário de Nacala na sua deslocação àquela cidade portuária, complicando, tal como o Desportivo, cada vez mais a sua situação. Aliás, os “alvi-negros” estão na pior situação, pois desceram para a penúltima posição.

 

A próxima jornada tem como destaque o duelo entre o Costa do Sol e Ferroviário. O Maxaquene desloca-se ao Songo ao encontro do HCB, enquanto a Liga vai ao Chibuto defrontar o clube local.

 

 

Fonte:Jornal Noticias

LIGA, 5 - DESP. NACALA, 0: Rajada de golos abate forasteiros

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OLHANDO para os primeiros 30 minutos, em que a Liga teve dificuldades para fazer um remate sequer à baliza contrária, era muito difícil prever que no final dos 90 o resultado fosse de 5-0 a seu favor. Muito ficou a dever-se a uma segunda parte de luxo, em que, diga-se, houve apenas uma equipa em campo.

Mas, conforme foi referido, a Liga enfrentou grandes dificuldades para furar o bloco defensivo do Desportivo de Nacala. As jogadas ofensivas eram bastante denunciadas, facto que denunciava a missão defensiva dos visitantes, que tinham tempo de sobra para organizar o seu sector mais recuado.

 

Por outro lado, os nacalenses faziam uso do contra-ataque para chegar à baliza de  Milagre. Diga-se que o faziam de forma mais objectiva e aos 23 minutos quase colhiam frutos. Scander, bem desmarcado, ganha terreno e já dentro da grande área remata à malha lateral. Pedia-se mais do médio dos nacalenses, na medida em que estava em boa posição para rematar com sucesso.

 

As dificuldades dos comandados de Litos em causar apuros junto à baliza contrária eram notórias e só através de um tiro potente de Kito, aos 31 minutos,  de fora da área, é que se deu o primeiro sinal de perigo. David foi obrigado a fazer uma defesa arrojada, cedendo um pontapé de canto que viria a ser fatal, já que foi da marca do quarto círculo que nasceu o golo da Liga. Neymar, aos 33 minutos, aproveitou uma defesa incompleta de David para colocar os anfitriões em vantagem.

 

 

A Liga animou-se, passou a ter mais espaço para atacar, tirando proveito do facto de os pupilos de Arnaldo Ouana terem subido no terreno à procura do golo do empate. Zicco por duas vezes ficou perto do golo, mas a terceira foi de vez. O malawiano cabeceou certeiro e dilatou a vantagem para a equipa da casa. Estavam jogados 46 minutos, o primeiro dos dois minutos de compensação.

 

De realçar que a primeira parte ficou manchada pelo comportamento violento dos adeptos do Desportivo de Nacala, que sem razão protestaram contra a equipa de arbitragem, tendo danificado uma das redes de protecção do campo da Liga. Por mais que tivessem razão nas reclamações (não é o caso) não se justifica este comportamento extremamente violento.

 

A verdade é que a Liga não se intimidou com essas atitudes. Aliás, regressou para a segunda parte a todo o gás e no espaço de 17 minutos fez três golos. O primeiro apontado por Liberty, aos 53, na sequência de um bom trabalho de Eusébio pela esquerda, e aos 56 por intermédio de Zicco, outro de cabeça, e Andro, aos 61. Um autêntico bombardeamento de golos que tirou interesse duma partida da qual se esperava uma maior réplica da turma de Nacala, a julgar por aquilo que tem feito neste início do campeonato. Gito e Zé ainda tiveram nos pés a oportunidade de fazerem o tento de honra, mas tiveram perdidas clamorosas.

 

O árbitro do encontro, Samuel Chirindza, esteve bem no ajuizamento disciplinar e técnico.

 

FICHA TÉCNICA

 

ÁRBITRO: Samuel Chirindza, auxiliado por Baltazar Hilário e Salomão Filipe. Quarto árbitro: Luís Jumisse.

 

LIGA: Milagre; Kito, Gildo, Chico e Eusébio (Naftal); Momed Hagy, Liberty, Manuelito e Andro (Nando); Neymar e Zicco (Jerry).

 

DESP. NACALA: David; Idrissa, Isaías, Joa e Kikito; Sanito, Maninho (Zé), Essien e Scander (Zinho); Gito e Faizal.  

 

DISCIPLINA: Amarelo para Neymar e Gildo.

 

IVO TAVARES

 

Fonte:Jornal Noticias

FER. QUELIMANE, 1 - HCB DO SONGO, 0: Sem mácula

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OS jogadores do Ferroviário de Quelimane e do HCB do Songo exibiram-se com bastante estoicismo para dignificar as suas camisolas. Deram o melhor de si, inclusive a última gota de suor que o corpo tinha, em nome de um magnífico espectáculo de futebol que, diga-se em abono da verdade, compensou para quem realmente pagou o ingresso para assistir a partida.

 

A primeira parte do jogo foi disputada sob o signo de equilíbrio, mas com ligeiro ascendente ofensivo para os “locomotivas”. A pressão sobre o homem na posse da bola era tanta e os dois contendores concentravam as suas investidas no meio-campo, com pequenas dificuldades de sair para a defesa contrária. Os “locomotivas” exploraram muito os flancos para canalizar o seu jogo ofensivo, entretanto encontravam dificuldades para dar sequência aos lances, muito por culpa dos avançados, que não tiveram inteligência suficiente para superar a defensiva contrária. Délcio e Stiven não estiveram nos seus melhores dias, por isso transformaram-se nos dois grandes desmancha-prazeres, ao serem antecipados sistematicamente pelos homens mais recuados que Artur Semedo confiou para a defensiva.

 

A formação visitante apresentou uma forte estrutura táctica. Jogando com todas as cautelas, por estar a actuar em palco alheio, imprimiu maior velocidade depois de sair do seu meio-campo para o do adversário. Gizou ataques codiciosos, onde Kambala, Chris e Darril mostraram capacidade de combate, imaginação, criatividade e grande comunicação entre eles mas o golo não saía porque estava lá Victor, o guarda-redes “locomotiva”, que nunca anuiu a violação da baliza por si defendida.

 

Aos trinta e um minutos da etapa inicial o Ferroviário de Quelimane chega ao golo, num lance de bola parada. Foi na sequência de um pontapé de canto, e o autor do tento foi Sassi.

 

O HCB não tremeu, antes pelo contrário, continua uma equipa mais afoita e clarividente. Saía da zona defensiva a jogar e quando chegava ao meio-campo apostava em jogo aéreo, colocando o esférico nas costas dos defesas “locomotivas”. Estes viram-se na contingência de sacudir a pressão pontapeando o esférico para limpar a zona.

 

Volvidos 37 minutos Sassi volta a estar em grande plano. Numa jogada de ataque desenvolvida na grande área, recebeu a bola e isolou-se, tendo desferido um portentoso remate que obrigou o guarda-redes Swin, do HCB, a uma defesa de recurso. Na recarga, Vovoti fez a bola beijar o travessão, quando meio mundo já gritava golo. Terminaram os 45 minutos com este resultado favorável à equipa da casa.

 

No reatamento viu-se um Ferroviário de Quelimane já quebrado, a ser acantonado no seu reduto e a defender-se com unhas e garras. Por seu turno os visitantes iam imprimindo mais velocidade, tornando-se na equipa mais astuta e inconformada com o resultado. Foram mais de 20 minutos de pressão sufocante, durante os quais o HCB mostrou ser mais equipa, mais adulta, e acima de tudo experiente, jogando e convencendo, mas o golo não aparecia.

 

A pressão imposta obrigou Nacir a fazer três substituições em menos de cinco minutos para reforçar o meio-campo. Tirou Sassi, Stiven e Fila e para os seus lugares entraram Txoro, Henriques e Tchitcho, respectivamente. Foi uma visão acertada, porque aos vinte e sete minutos a partida voltou a equilibrar-se.  O jogo ganhou mais alento e tanto os locais como os visitantes tentaram várias vezes chegar à baliza com ataques perigosos que não eram aproveitados pelos avançados

 

FICHA TÉCNICA

 

ÁRBITRO:

 

Estêvão Matsinhe, coadjuvado por Pedro Justino e Raimundo Artur. O quarto árbitro foi Marcos Marrengula.

 

FER. QUELIMANE: Victor; Sassi (Txoro), Ibra, Bill e Mutong; Txocolo, Vovoti, Délcio e Bony; Stiven (Henriques) e Fila (Tchitcho).

 

HCB DO SONGO: Swin; Rodder, Mucuapel, Aguiar e Vling; Dário, Kambala, Payo (Chiganda) e Tony (Nelson); Chris e Darryi.

 

ACÇÃO DISCIPLINAR: cartão amarelo para Ibra por queimar tempo.

 

JOCAS ACHAR

 
Fonte:Jornal Noticias
 

FER. NAMPULA, 2 - DESPORTIVO, 0: Estreia com êxito

 

 

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O FERROVIÁRIO de Nampula estreou com êxito, ao vencer ontem na sua primeira partida em casa e no novo estádio municipal da cidade de Nampula, o Desportivo de Maputo por duas bolas sem concorrência, resultado que não só satisfaz a equipa como também a massa associativa, que encheu por completo aquele recinto desportivo ainda em obras e que já não se contentava com as três derrotas consecutivas dos “locomotivas” da capital do norte.

 

Até porque, tal como os competia, os visitados entraram a pressionar o reduto mais recuado do Desportivo, mas as coisas não se processavam da melhor maneira, pois aos oitos minutos podiam ter marcado o primeiro golo da partida se Carvalho tivesse a calma necessária para introduzir a bola na baliza de Wilson.

 

Na verdade o Ferroviário não deixou escapar a soberana ocasião de somar os três pontos em disputa. Por conseguinte, os visitantes serenamente espreitavam algumas jogadas de ataque, chegando a criar algumas oportunidades claras para marcar. Era uma partida entre duas equipas aflitas em termos de posicionamento na tabela classificativa, daí que se antevia um jogo renhido e bem disputado.

 

Mas o Ferroviário era uma equipa compacta, que se defendia bastante e bem saía em contra-ataques rápidos que diversas vezes provocaram calafrios ao seu opositor. Aliás, a tendência do jogo sempre foi esta até que aos 40 minutos, altura em que Calton marca o golo para os donos da casa.

 

Este golo catapultou os treinados por Rogério Gonçalves para uma exibição mais vistosa e agradável. Com os sectores a funcionarem como se impunha, os “locomotivas” da capital do norte conseguiram sacudir a pressão do Desportivo, que depois de sofrer o golo não baixou os braços e continuo a procurar o tento de empate, que não surgiu até o fim da primeira parte da contenda.

 

O Ferroviário veio para a segunda metade do jogo com mais fulgor, facto que deitou por água abaixo os intentos do adversário em virar o resultado que lhe era desfavorável. Por outras, pela parte do Desportivo havia lucidez na abordagem do seu jogo, tendo criado duas grandes oportunidades de empatar o jogo, aos 47 e 50 minutos.

 

A superioridade dos “locomotivas” de Nampula viria a encontrar justeza quando Carvalho, num forte remate, marca o segundo golo para a sua equipa. Embora em alguns momentos mesmo com o resultado que dava vantagem ao Ferroviário o jogo fosse disputado sob signo de equilíbrio, o certo é que a partir do segundo golo os locais não mais deixaram o adversário respirar.

 

FICHA TÉCNICA

 

ÁRBITRO: Mário Tembe, coadjuvado por Zacarias Balói e José Mhula.

 

FER. NAMPULA – Pinto; Foster, Samito, Dondo e Daudo (Skaba); Kalanga, Paiva, Carvalho (Taíbo) e Calton (Avelino); Óscar e Rodrigues.

 

DESPORTIVO – Wilson; Sadique, Agy, Henrique e Satacajr; Mastyle, Carlitos (Albertino), Betinho e Lalá; Lanito (Willan) e Laque.

 

ACÇÃO DISCIPLINAR: cartões amarelos para Lalá e Paiva.

 

MOUZINHO DE ALBUQUERQUE

 

 

 

Fonte:Jornal Noticias

MAXAQUENE, 2 - 1.º MAIO, 0: Puro engano!

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É ENGANADOR o resultado do embate entre o Maxaquene e o 1.º de Maio, que teve lugar na tarde de sábado no Estádio da Machava. Pelo que fizeram os homens que viajaram de Quelimane até à capital do país, sobretudo na primeira parte, mereciam pelo menos um empate.

 

Mas porque o futebol não tem lógica, o Maxaquene ganhou. Soube explorar as fragilidades adversárias e levou consigo os três pontos.

 

Num jogo morno, com as duas equipas a fazer as jogadas de forma bastante pausada, o 1.º de Maio foi a equipa que teve as oportunidades mais claras de golo no primeiro tempo. Numa jogada aparentemente inofensiva, Cherife ganha a bola na área “tricolor” e evita Simplex, que saiu em falso, mas o seu remate sai ao lado.

 

Pouco depois há um remate cruzado de Nelson que obriga Simplex a aplicar-se a fundo para evitar aquele que seria o golo inaugural. Nelson voltou a estar em evidência. É bem servido através de um cruzamento rasteiro vindo da esquerda, mas é surpreendido pela bola, que passou por muitos jogadores antes de chegar nele para atirar para fora.

 

Já sobre o intervalo Rachid desfere um forte remate, mas não acerta na baliza à guarda de Dinho.

 

No reatamento o jogo fica mais equilibrado, o Maxaquene acorda, mas o 1.º de Maio não verga. O espectáculo ganha alguma qualidade. Depois de algumas jogadas de insistência os “tricolores” chegam ao golo por intermédio do suspeito de costume, Isac, aos 66 minutos. A defensiva do 1.º de Maio não fica isenta de culpas, pois no lance estava de certa forma desatenta.

 

A equipa de Quelimane tentou correr atrás do prejuízo e pouco tempo depois de sofrer ganhou canto, que culmina com um cabeceamento que é tirado sobre a linha do golo, aos 68 minutos. Há uma sensação de a bola ter mesmo entrado na baliza de Simplex.

 

A 11 minutos dos 90 Massano obriga a Simplex a proporcionar aquela que é consensualmente considerada a defesa da tarde. O jogador do 1.º Maio ganha a bola na entrada da área, evita dois contrários e remata para uma sapatada do guardião malawiano do Maxaquene para canto.

 

Aos 92 Luckman ofereceu de bandeja o 2-0 a Butana, mas este desperdiçou, quando tudo o que tinha para fazer era apenas tocar subtilmente o esférico. Quem não desperdiçou a oferta do avançado nigeriano foi Isac, que no último minuto dos quatro de compensação matou o jogo com um golo de belo efeito.

 

Era o 2-0 penalizador para os quelimanenses, que nesta partida podiam ter saído com um resultado bem melhor.

 

O árbitro teve muitas falhas técnicas mas que não influenciaram no resultado.

 

FICHA TÉCNICA

 

ÁRBITRO:Paiva Dias, auxiliado por Alberto Miambo e Domingos Machava. O quarto árbitro foi Aureliano Mabote.

 

MAXAQUENE: Simplex; Zabula, Butana, Nito e Mayunda; Wisky (Loló), Moniz, Rachid (Mauro) e Michael (Okan); Luckman e Isac.

 

1.º DE MAIO: Dinho; Marcos, Agenor, Onélio e Massano; Mamudo (Mané), Nelson (Joaquim), Fraide e Eurico; Beto e Cherife (Rodrigues).

 

DISPLINA: amarelos para Marcos e Agenor (1.º de Maio) e Butana (Maxaquene)

 

QUADRO DE RESULTADOS

 

Liga Desportiva-Desp. Nacala (5-0)

Maxaquene-1.º de Maio (2-0)

Fer. Nacala-Costa do Sol (0-0)

Fer. Quelimane-HCB (1-0)

Fer. Nampula-Desp. Maputo (2-0)

ENH-Chibuto (0-0)

Fer. Maputo-Fer. Beira (dia 22)

 

 CLASSIFICAÇÃO

 

J           V         E          D         B         P

1.º Maxaquene                        5          4          0          1          7-2       12

2.° Liga                                   5          3          2          0          8-1       11

3.º Fer. Maputo                       4          3          0          1          8-3       9

4.º Desp. Nacala                      5          3          0          2          4-6       9

5.° Fer. Nampula                     5          2          0          3          4-3       6

6.º Fer. Beira                           3          2          0          1          2-2       6

7.° Fer. Quelimane                  4          2          0          2          2-2       6

8.° HCB                                  5          2          0          3          3-4       6         

9.º Chibuto                              5          1          2          2          3-3       5

10.° Costa do Sol                    5          1          2          2          2-3       5

11.° 1.° de Maio                      5          1          2          2          1-3       5

12.° Fer. Nacala                      4          1          1          2          2-4       4

13.º Desportivo                       5          1          1          3          2-7       4

14.° ENH                                5          1          1          3          3-8       4

 

 

Próxima jornada: Costa do Sol-Fer. Maputo, HCB-Maxaquene, Chibuto-Liga Desportiva, 1.º de Maio-Fer. Nacala, Desp. Maputo-Fer. Quelimane, Fer. Beira-ENH, Desp. Nacala-Fer. Nampula.

 

 SÉRGIO MACUÁCUA

 

Fonte:Jornal Noticias