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centro de documentação e informação desportiva de moçambique

Este blog tem como objectivo difundir a documentação de carácter desportivo

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Vivemos num meio de corrupção incrível

Artur Semedo

AS Afrotaças estão no horizonte da Liga Muçulmana. O adversário é o Mafunzo, de Zanzibar. Artur Semedo diz possuir pouca informação a respeito desta formação e os contactos que fizeram não trouxeram matérias substanciais, mesmo em relação ao campo onde se realizará o jogo. Para o “mister”, o que é válido, neste momento, é que Zanzibar não é um privilegiado no continente e não está bem posicionado ao nível da CAF.

 

 Considera a Liga favorita nesta pré-eliminatória?


 

Creio ser um adversário acessível para as nossas pretensões e para a nossa forma neste período. Mas lembro que é uma eliminatória em que, mesmo desconhecendo o adversário, é de se esperar dificuldades naturais da própria competição.

 

 Neste tipo de competições as arbitragens costumam ser “simpáticas” para com as equipas de maior expressão. Como vai encarar este facto se tiver que enfrentar um desses colossos?

 


Sabe que o poder institucional do nosso país é fraco. As nossas instituições desportivas ainda não granjearam a respeitabilidade que Moçambique merece no contexto da CAF. Isso por si só é um factor decisivo. Não temos capacidade decisória na CAF. Não temos capacidade de influenciar nada que não seja designar o nosso voto sempre que é necessário eleger o presidente da CAF. Não tendo esta capacidade, não espere que o nosso país seja capaz de ganhar o seu lugar entre os melhores. Mas este é apenas o primeiro aspecto, porque há outros que são de natureza intrínseca.

 

 

A nossa capacidade organizacional, o nível de capacitação de quem dirige o futebol é débil. Os dirigentes fazem-no mais por interesses de outra natureza do que por razões profissionais. Depois, há o fraco desenvolvimento dos jogadores, desde a formação até chegarem a outro rendimento. Temos uma formação fraca, onde os treinadores estão pouco capacitados e as infra-estruturas são inexistentes. Os  miúdos treinam descalços, há falsificação de idades, pouco orçamento para a formação, que acaba sendo sustentado por alguns mecenas.

 

 

Ora, tudo isto é precário para que tenhamos representatividade no seio da CAF. Depois, os que organizam os jogos não têm cultura desportiva. No Verão marcam jogos para 15 horas, quando o dia é longo e as temperaturas estão acima dos 40 graus, não é possível jogar futebol.

Mesmo reconhecendo estas fragilidades todas, o nosso futebol vive num meio de corrupção incrível. Toda a gente fala de corrupção, mesmo aqueles que vivem com esta realidade conhecem-na, são os primeiros a vir falar delas como se eles não tivessem nada a ver com isso. Então, não espere que o nosso futebol tenha capacidade para poder se bater com os melhores.

 

Mais dificuldades

 

 Nos últimos dois anos, a Liga dominou o futebol nacional. Olhando para a forma como os principais concorrentes se reforçaram, prevê uma época difícil?

 

 Espero muito mais dificuldades. Se analisar os plantéis, de acordo com os reforços, verá que as outras equipas, como por exemplo o Maxaquene, têm jogadores com um estatuto superior aos da Liga no futebol nacional. A defesa do Maxaquene é formada por jogadores internacionais. Campira, Fanuel e Gabito são atletas que já jogaram na selecção nacional recentemente, algo que no nosso plantel não existe tanto. Digo mais: no nosso plantel há reforços que procuram um lugar ao sol. Ninguém sabe quem é Belo ou o Jacinto. Embora lhes identifique algum talento, não estão firmados no nosso futebol. Mesmo Sonito, que fez uma boa época, não é na verdade um jogador com estatuto firmado no nosso campeonato. Portanto, são jogadores à procura de um lugar ao sol.

 

 

 São jogadores que carecem de um acompanhamento para a sua afirmação… 

 

  

Reconheço qualidade neles, mas tenho que exponenciá-los para virem a ser jogadores de referência. Portanto, antevejo grandes dificuldades. Os plantéis dos nossos principais concorrentes estão bem apetrechados. Os treinadores transitaram todos com as suas equipas, exceptuando um e outro, e, de certeza, farão requalificações nos métodos de trabalho.  

 

 

 Sente-se um treinador realizado na Liga Muçulmana?     

 


A Liga está a apetrechar-se melhor do que os outros, tem uma infra-estrutura própria, não é a ideal, é verdade, mas vai servindo. Devo dizer que faltam  meios de apoio em relação à recuperação dos jogadores, mas sei que a Direcção está a fazer um esforço para que este ano seja possível. A Liga vai tendo um olhar mais profissional das coisas em relação, por exemplo, aos que delinearam o sistema de inspecções. Não é compreensível que durante o treino tenhamos que ficar sem metade dos nossos jogadores, porque vão à inspecção médica e só existe um médico para atender todas as equipas.

 

 

 

 

Fonte:Jornal Noticias