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centro de documentação e informação desportiva de moçambique

Este blog tem como objectivo difundir a documentação de carácter desportivo

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MAHUNGU - Humildade alvi-negra

Victorino Xavier

CAUSA espanto e até certo ponto alvo de censura por parte de alguns amantes do chamado desporto das multidões quando a direcção do Desportivo do Maputo publicamente diz que não passa de um sonho atacar o título nacional esta temporada.

 

É que avaliação que se faz dos artistas que vestem a camisola alvi-negra, comparando com as “estrelas” que cintilam em outros emblemas do futebol nacional, é que não encontram menor chance para se digladiarem pela conquista do canecão e vão dai que dizem se tratar de uma época para preparar um grupo que nos próximos anos possa ir à luta.

 

 

Vamos jogar até onde for possível, porque a equipa para o título não é está”, defendem-se humildemente os dirigentes do Desportivo.

Mas os resultados foram aparecendo até colocar o Desportivo em algum momento no barulho, à frente dos actuais colossos do nosso futebol.

 

 

Entretanto, quando Augusto Matine diz que se fosse para lutar pelo título, não aceitaria treinar a equipa, é também severamente criticado.

Ora vejamos: quem conhece Nando, Santos, Gregório, Khendey, Jojó, Cândido, Marvim, James?  São miúdos anónimos no futebol que contam apenas com a companhia dos “kotas”, Leonel, Tico-Tico, Abílio e Baúte, simplesmente.

 

 

É óbvio, na minha opinião, que o Desportivo reconhecendo as suas capacidades, não faça promessa para sua massa associativa.

Tive a sorte de estar pertinho do Desportivo do Maputo. Foi em Vilankulo. Acompanhei um pouco o ambiente que se vive, cheguei à conclusão de que, os “bebés” de Augusto Matine estão bem, não falta quase nada do que tanto se fala lá fora. Percebi que têm ambição de chegar o mais longe possível.

 

 

Verifiquei que as derrotas com o Atlético e o Incomáti doeram mas não afectaram o grupo de trabalho, que todos assumem as derrotas e todos querem ganhar jogos e acima de tudo, não temem a nenhum adversário e afinal também são amigos de alguns dos seus antigos colegas, se preocupam também com os resultados dos adversários.

 

 

Nos primeiros 45 minutos do jogo contra Vilankulo FC, o Desportivo terminou em desvantagem. Augusto Matine no intervalo, não mandou bocas para os jogadores, disse duas ou três palavras.

 

 

Vocês têm capacidades, vão e virem-me o jogo por favor, dignifiquem a camisola. Desportivo não é e nunca foi moleza desde que ando no futebol, não conheço Desportivo assim. Não se esqueçam que estão num grande clube. Vão, vão, vão jogar e ganhem esse jogo aí, porque vocês são melhores do que Vilankulo FC”. Só foi isto.

 

 

Quando Mateus soprou para o reatamento da partida, os miúdos que nutrem muita confiança do seu técnico, juntaram e gritaram “força pessoal” e a “ventoinha” começou a “girar” e o resto foi aquilo que se viu. Um Desportivo igual a si próprio e acabou por ser responsável da “revolução” que se vive hoje em Vilankulo.

 

 

Como se pode depreender, o grupo de trabalho do Desportivo do Maputo, desde a direcção até os técnicos, sabem com que linhas se coze o nosso futebol, fizeram cálculos dos resultados que vão colher a julgar pelos recursos que têm. O Desportivo é grande não restam dúvidas.

 

 

O Desportivo tem que vencer todas as adversidades, mas também é bom perceber que os donos já fizeram o diagnóstico e sabem o que vai dar este ano e nunca esconderam que este ano, se pode considerar ano zero. Se os resultados aparecerem, nada de pressão, porque afinal é de facto produto do trabalho de preparação para as próximas batalhas.

 

 

 

Bom trabalho mister Matine, continue a moralizar os seus “bebés” diga aos jovens que um dia farão parte da equipa base dos “Mambas”. Diga ao Gregório, Santos, Nando, Jojó, Isaac, Cândido, James, Tchotchó, que não será surpresa se um dia fizerem parte dos “Mambas”, até porque não é sonhar, pois o segredo é apenas o trabalho.  

  • Victorino Xavier - victorinoxavier@gmail.com
Fonte:Jornal Noticias