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centro de documentação e informação desportiva de moçambique

Este blog tem como objectivo difundir a documentação de carácter desportivo

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25.Fev.11

Populismo acabou na alta competição

Victor MiguelO PRESIDENTE da Associação de Futebol da Cidade do Maputo decretou o fim do populismo no futebol da alta competição ao nível da cidade do Maputo, com a introdução de novos requisitos de participação nas provas oficiais organizadas por aquela agremiação, sobretudo no campeonato principal, na esteira da orientação emanada pela Federação Internacional da modalidade (FIFA), em coordenação com as federações nacionais dos países membros.

 
 

Falando em entrevista à nossa Reportagem sobre o que, de modo geral, será a época futebolística ao nível da cidade do Maputo, Victor Miguel traz algumas novidades do ponto de vista organizacional e competitivo na presente época.

De seguida apresentamos a resenha da entrevista:

 

O que está agendado para a presente época que acaba de começar em termos de competições?

 

Uma vez concluída a Taça de Honra teremos o Torneio de Abertura, que também servirá de rodagem às equipas que vão disputar o Campeonato da Cidade do Maputo. Vamos reunir com os clubes na próxima sessão ordinária para delinear as estratégias e apresentar quais são as obrigações que devem cumprir de modo que não haja atropelos aos requisitos estabelecidos. Só poderão participar no campeonato clubes que estejam em situação legal, ou seja, com o estatutos aprovados, reconhecidos e publicados no Boletim da República. Isso porque partimos do princípio que quem disputa este campeonato deve reunir condições para ascender ao Moçambola.

 

Qual é a expectativa em relação aos clubes. Há esperança de alargamento do número de equipas, tendo em conta os novos requisitos para o ingresso na prova?

 

Em princípio há mais duas equipas que manifestaram o interesse de ingressar no campeonato, que é o caso do regressado Ferroviário das Mahotas e da União FC. Esperamos que este último tenha já reunido estas condições porque não participou na última prova devido ao não preenchimento dos novos requisitos.  

 

Olha, isto é sério, temos que encarar o desporto e o futebol, em particular, com seriedade. Isto não é um torneio de bairro ou recreativo. Trata-se de alta competição. Estamos a preparar as equipas para disputar um campeonato profissional, que é o Moçambola.

Poderá haver alargamento de equipas sim se estas reunirem as condições necessárias, mas caso contrário acabaremos organizando um campeonato reduzido, porque pautamos pela qualidade.

 

O populismo já acabou, pois se continuarmos assim o nosso futebol nunca vai desenvolver. É por isso mesmo que defendemos que aqueles que se apresentarem em melhores condições e que respondam às exigências da FIFA, que de modo geral rege o funcionamento do nosso futebol, são os que vão disputar o campeonato.

 

As condições para o ingresso para o campeonato esgotam apenas na legalização ou há mais?

 

É necessário que, para além dos estatutos aprovados e publicados no Boletim da República indiquem a sua sede e o campo onde vão treinar e efectuar os seus respectivos jogos, sem ter que sermos nós a procurar campos para marcar jogos para uma equipa que se julga da I Divisão. Não! Essa tarefa não é nossa, o clube é que deve trazer o documento esclarecendo, por exemplo, que não tendo campo próprio vai jogar neste ou naquele recinto. Isso para que a associação possa marcar jogos sem qualquer tipo de transtornos. Vamos colocar aos clubes estas condições para poderem assumir com seriedade esta responsabilidade.

 

O que tem a dizer em relação às equipas que participaram no campeonato do ano passado. Haverá ou não desistências?

 

Bom, ainda não há sequer uma desistência anunciada das seis equipas que disputaram a prova do ano passado, nomeadamente Estrela Vermelha, 1º de Maio, Académica, Mahafil, Águias Especiais e Beira-Mar da Catembe. Como me referi, o número poderá crescer para oito, mas com uma forte possibilidade de atingirmos 10 equipas. Se se considerar que há outras manifestações que ainda não foram formalizadas.

 

O que é que se exige realmente nesta altura para que tenhamos um campeonato profissionalizado a nível da cidade do Maputo, tendo em conta que é aqui onde temos maior número de clubes do país?

 

Bom, o básico é a existência legal dos clubes, ou seja, que tenham seus estatutos, para que o público tenha o conhecimento de que eles existem juridicamente. Esta é a primeira condição. A segunda é que devem ter sede, para ficar claro que fisicamente este clube é aqui onde se reúne e discute os seus problemas. Terceiro, é preciso ter órgãos sociais constituídos com as tarefas claramente definidas e que reúnam regularmente em assembleia-geral para debater a vida do clube e, por último, um campo. Não tendo estas condições o clube deixa automaticamente de existir.

 

Tendo em conta que o alcance de todos estes requisitos é o profissionalismo, vai se continuar a jogar no pelado?

 

Bom, o ideal era que todos jogassem em campos relvados, mas, como sabe, mesmo esses campos pelados têm imensas dificuldades de os ter. Se tivéssemos campos suficientes, mesmo pelados, porque há bons pelados, às vezes é melhor num bom pelado do que num relvado mal tratado.

 

Esta é maior dificuldade que temos e este ano a situação poderá piorar, considerando que poderemos ficar sem alguns campos, caso do do Maxaquene da Baixa, que, como deve saber, foi entregue e ao que acompanhámos poderá apenas servir para as camadas de formação. Não temos confirmação, mas parece que o campo do Estrela Vermelha vai entrar em obras e isto vai reduzir cada vez mais os espaços que tínhamos para este grande movimento que estamos a ter ao nível da cidade do Maputo.

 

Para nós já seria bom ter campos mesmo pelados perante a situação que nos encontramos. E os clubes é que deverão resolver este problemas. Aliás, esta exigência de os clubes terem campo próprio visa este objectivo.

PRÉMIOS VÃO MELHORAR

 
 

Temos a Taça de Honra que conta com apoio da SOJOGO e o nosso campeonato. O que existe em termos de estímulo para a moralização das equipas e atletas?

 

Temos um acordo firmado com a empresa GWM, que é o nosso patrocinador oficial do campeonato, mas neste momento não posso adiantar nada daquilo que foram as melhorias em relação aos prémios do ano passado. Mas está certo que haverá melhorias na premiação, quer por vitórias das equipas em cada jogo, quer em relação ao campeão. Portanto, os clubes participantes neste campeonato praticamente não têm despesas, pelo contrário são estimulados e isso tem criado uma certa motivação aos clubes.

 

O que a GMW disponibilizou como premiação e estímulo para os clubes no ano passado?

 

Por exemplo, o campeão em título, que é o Estrela Vermelha, foi premiado com estágio na vizinha África do Sul em preparação para a “poule” de apuramento para o Moçambola da presente edição ao nível da zona sul. Foi lhe custeado as despesas de transporte de todas as fases de apuramento para o Moçambola. Tudo isto corresponde ao prémio do campeão e em termos de custos isso corresponde a um valor elevado. Estamos a falar de perto de um milhão de meticais.

 

Quando fala de premiação por vitória quer se referir a quê?

 

Quero dizer que por cada vitória a equipa terá uma premiação monetária. Assim como ao melhor guarda-redes e melhor marcador, que terão no final de campeonato, para além de um troféu, um prémio em dinheiro.
  • Salvador Nhantumbo
Fonte:Jornal Noticias