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centro de documentação e informação desportiva de moçambique

Este blog tem como objectivo difundir a documentação de carácter desportivo

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05.Abr.10

AFROTAÇAS - Ferroviário, 2-SuperSport,0: Tão perto e tão longe

 


A ELIMINAÇÃO do Ferroviário da Liga dos Campeões Africanos ficou a dever-se muito à falta de pontaria, sobretudo dos seus avançados. A vitória de 2-0 sobre o SuperSport acabou tendo um sabor amargo porque ficou a impressão de que a “locomotiva” poderia ter chegado mais longe.
 

Teve por várias vezes a oportunidade de carburar para o 3-0, 4-0 ou mesmo 5-0, mas quem descarrila tanto no momento da verdade acaba tendo um final triste. E foi o que aconteceu quando o árbitro deu por concluída a partida.


Jogadores cabisbaixos, sentaram-se no relvado, talvez a pensarem nas oportunidades desperdiçadas que convertidas proporcionariam ao público um cenário alegre e não aquele ambiente desolador.

Alguns adeptos já fora de si chegaram a atirar culpas ao “mister” Chiquinho Conde. Coitado dele; não merecia ser apupado pelos adeptos, visto que o esquema táctico foi bem montado, falhou mesmo na finalização.

ENTRADA A MATAR

O Ferroviário não podia ter melhor início de jogo. Entrou a todo gás, conforme lhe competia. Precisava de anular a desvantagem de 0-3 e marcar cedo era fundamental. Os cerca de cinco mil espectadores que acorreram ao Estádio da Machava só precisaram esperar 12 minutos para gritarem golo. Jerry recebeu um passe magistral de Momed Hagi e com o guarda-redes pela frente rematou cruzado, a bola ainda bateu nos pés do “keeper” antes de ultrapassar a linha de golo.

A festa era verde-e-branca no vale do Infulene. O verde da esperança ganhava forma, faltavam dois golos para a equipa “locomotiva” empatar pelo menos a eliminatória e ainda haviam 78 minutos por jogar. Cinco mil pessoas pulavam de alegria e puxavam pelo campeão nacional. Os jogadores, embalados pelos cânticos, aumentavam vertiginosamente o ritmo do jogo.

O SuperSport era uma equipa praticamente domável, nem Anthony Laffor, que havia sido o municiador do ataque na primeira “mao”, tinha argumentos para esgrimir forças com a defesa “locomotiva” que teve em Jotamo um verdadeiro líder.

GOLO DE BANDEIRA DE HAGI

A mesma altura que decorria o Ferroviário-SuperSport realizava-se o jogo mais aliciante do fim-de-semana desportivo a nível mundial, o Manchester United-Chelsea. Alguns lamentavam o facto de não poderem estar a ver esse duelo europeu pela competitividade e emoção que proporciona uma partida de tal gabarito, mas sobretudo pelos golos fenomenais que habitualmente são marcados no futebol inglês. Mas podemos afirmar categoricamente que Momed Hagi fez questão de provar que no nosso futebol também é possível marcar-se golos de outra galáxia. A forma como Hagi adiantou a bola com o peito e sempre em progressão, desferindo um remate para o ângulo superior esquerdo não dando qualquer chance de defesa a Denis Onyang, faz-nos recordar os golos dos melhores atacantes do mundo. A “obra prima” de Hagi surgiu aos 26 minutos e fazia acreditar que a reviravolta poderia ser um facto consumado. Tudo corria de feição ao campeão nacional. Ainda não estava jogada sequer a primeira meia hora da primeira parte e só faltava um golo para o Ferroviário empatar a eliminatória. Era difícil imaginar um cenário mais animador.

PERDIDA DE JERRY

O sonho de anular a vantagem do campeão sul-africano poderia ter se concretizado se à passagem dos 39 minutos Jerry não tivesse desperdiçado uma clara oportunidade de golo. Custa acreditar como é que Jerry, dentro da pequena área, com a baliza escancarada, chutou para as “nuvens”. Arriscamo-nos a dizer que era mais dificil falhar do que acertar com a baliza naquele lance que Luís fez um bom trabalho até endossar o esférico para o seu companheiro de ataque. A história da primeira “mão” em Rosetenville repetia-se e por mais que tentassemos fugir àquele “fantasma” que persegue o nosso futebol: falta de eficácia era inevitável.

O certo é que já em cima do final da primeira parte, o SuperSport poderia ter feito o 1-2 se Brian Umony tivesse tido mais calma na hora de rematar à baliza. Ainda bem que assim não foi, pois um “balde de água fria” poderia ter se entornado sobre o Estádio da Machava.

Aos sul-africanos coube para além desta jogada um livre de Zongo aos 33 minutos a que Mohamed defendeu para canto.

FESTIVAL DE FALHANÇOS E EXPULSÃO DE MOHAMED

A segunda parte resume-se em dois aspectos: as três oportunidades de golo desperdiçadas por Luís, Momed Hagi e Ítalo e a explusão do guarda-redes Mohamed, que acabaram tendo muito peso no desfecho da partida. Uma equipa que augurava estar na fase final da maior competição africana de clubes não pode nem deve ter o desplante de desperdiçar num espaço de cinco minutos três oportunidades certas para marcar. Aos 55 minutos Ítalo isola Luís e este só com o “keeper” pela frente não consegue fazer o golo. Aos 57 Ítalo dentro da área remata fraco e rasteiro. Tinha a obrigação de fazer muito melhor. Aos 60 Momed Hagi emita Luís. Não se percebe como é que depois de ter feito aquele golo ao alcance dos melhores executantes do mundo, teve dificuldades para introduzir a bola na baliza num lance que parecia fácil, ainda por cima quando se fala de um jogador do nível de Momed Hagi.

Essa sequência de falhanços foi como que um adeus dos “locomotivas” ao bom futebol. É que minutos depois Mohamed foi expulso por ter defendido com as mãos fora da grande área numa jogada em que viu Brian Umony isolar-se e o único recurso para evitar o golo foi esse. Para a baliza foi chamado Pinto e Luís foi o homem escolhido para sair. O Ferroviário passou a jogar com dez e não mais se encontrou. Chiquinho Conde fez entrar Danito Parruque e Dário mas não surtiram efeito. O SuperSport conseguiu segurar o resultado e apesar da derrota de 0-2 acabou em festa, pois a passagem à próxima eliminatória está assegurada.

Odan Mgaba não fez uma boa arbitragem. Assinalou um fora de jogo inexistente ao Ferroviário quando Jerry se esgueirava com perigo. Esteve mal também no cap]itulo disciplinar ao não mostrar cartão amarelo em certos lances que se pedia tanto aos jogadores do Ferroviário como os do SuperSport.

FICHA TÉCNICA

ÁRBITRO: Odan Mbaga, auxiliado por Makame Makame e Samuel Mpenzu. QUARTO ÁRBITRO Samuel Chirindza.

FERROVIÁRIO: Mohamed; Jotamo, Tony, Butana e Michael; Whisky, Momed Hagy (Danito Parruque) e Ítalo; Mendes, Jerry e Luís (Pinto).

SUPERSPORT: Denis Onyango; Mahoa Tseitse, Phelelani Mhpangase, Thabo September e Lethladi Madubanya; Hlompo Kekana, Masibusane Zongo (Dário Monteiro), Jabu Maluleke e Brian Umony (Thabo Mogalo); Lafoor Anthony (Ricardo Katza) e Tebogo Langerman.

DISCIPLINA: Cartão vermelho para Mohamed (Ferroviário). Amarelos para Butana (Ferroviário) e Denis Onyango (SuperSport).

Ivo Tavares