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centro de documentação e informação desportiva de moçambique

Este blog tem como objectivo difundir a documentação de carácter desportivo

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04.Fev.10

Contra o Togo no CAN de Angola: UA exige detenção de autores do ataque

 

A UNIÃO Africana (UA) instou os países não africanos onde foi organizado, concebido e reivindicado o ataque terrorista contra a Selecção do Togo em Angola a colaborarem com o Governo angolano na detenção e no julgamento dos responsáveis pelo acto, soube a PANA em Addis-Abeba, capital da Etiópia.

 

Gaviões mansos com Adebayor no ataque

De acordo com uma decisão da 14ª Cimeira da UA realizada entre 31 de Janeiro e 2 de Fevereiro deste ano na capital etíope, os líderes africanos condenaram "veementemente"

o acto perpetrado a 8 de Janeiro e exigiram a cooperação destes países para a detenção e o julgamento dos autores do ataque contra a selecção togolesa de futebol que devia disputar o 27º Campeonato Africano das Nações (CAN-2010).

 

"Os países não africanos onde o acto terrorista em causa foi organizado, concebido e finalmente reivindicado devem colaborar com o Governo de Angola na detenção e no julgamento dos responsáveis pelo acto", refere o texto das decisões da conferência.

 

Por outro lado, pede-se a todos os países, africanos e não africanos, que se abstenham de "promover, proteger, apoiar e abrigar grupos terroristas", lembrando que o terrorismo "é um acto abominável e condenável que visa desestabilizar a paz e a segurança de todos os povos".

 

Os países não africanos são igualmente convidados a não permitir a residência em seus territórios de cidadãos naturalizados com conhecidos antecedentes terroristas, bem como a tomar medidas para prevenir o uso do seu espaço geográfico para a preparação de tais actos.

 

O ataque contra o autocarro que transportava a delegação da selecção togolesa ocorreu dois dias antes do início do CAN, após um estágio no Congo-Brazzaville. O acto foi perpetrado por rebeldes armados próximo da fronteira com Angola.

 

Esta acção foi reivindicada, a partir da capital francesa, Paris, pela Frente de Libertação do Enclave de Cabinda (FLEC), um grupo separatista que reclama pela independência desta província rica em petróleo no norte de Angola e fronteiriça com o Congo-Brazzaville.

Após o ataque, que causou a morte do treinador-adjunto da seleccção togolesa, Abalo Amelete, do assessor de Imprensa da equipa, Stanislas Ocloo, e de um cidadão angolano, o Governo togolês decidiu repatriar a sua equipa.

 

Na sequência desta decisão das autoridades togolesas a Confederação Africana de Futebol (CAF) suspendeu a Selecção do Togo dos CAN de 2012 e 2014, indicando que a decisão de repatriar a equipa, apesar de os jogadores manifestarem a vontade de disputar o CAN, transgride os regulamentos deste órgão reitor do futebol continental.

 

De acordo com o regulamento do CAN,"a ausência declarada a menos de 20 dias do início da competição final ou durante o torneio implicará uma multa de 50 mil dólares e a suspensão da Selecção Nacional das duas edições seguintes do CAN".

 

Mas o Governo togolês exprimiu a sua indignação e reprovação pela decisão da CAF de suspender a sua Selecção Nacional do CAN durante quatro anos.

 

"O Togo acolheu com indignação e reprovação a decisão da CAF de suspender dos dois próximos CAN a nossa equipa nacional com uma multa", indicaram as autoridades togolesas numa declaração. O mesmo documento diz tratar-se duma "decisão surpreendente que pode ser interpretada como sendo igualmente a expressão dum desdém total face ao que o Togo e o povo togolês viveram como um drama".

 

Explicando os motivos que o levaram a retirar a Selecção Nacional do CAN, o Governo togolês afirmou que a retirada não resultou duma vontade manifesta da selecção, muito menos do Governo, mas do facto de que "as condições de segurança não estavam reunidas".

 

Por isso, as autoridades togolesas pretendem levar o caso diante do Tribunal Arbitral do Desporto em Lausanne, na Suíça, para interpor recurso pela decisão.

A Selecção do Togo deveria disputar o Grupo B do CAN-2010, na província de Cabinda, no norte de Angola, com as suas similares da Costa do Marfim, do Burkina Faso e do Gana.

 

CIMEIRA ADIADA

 

Entretanto, a próxima cimeira ordinária da União Africana (UA) inicialmente programada para finais de Junho a princípios de Julho deste ano vai ser adiada para o fim deste último mês por coincidir com o Mundial de 2010 na África do Sul, soube a PANA terça-feira em Addis-Abeba (Etiópia).

 

A Federação Internacional de Futebol (FIFA) fixou a fase final do Campeonato do Mundo de 2010, o primeiro na história do futebol mundial a realizar-se em solo africano, para 11 de Junho a 11 de Julho de 2010.

 

De acordo com fonte próxima da 14ª Cimeira Ordinária dos Chefes de Estado e de Governo da UA decorrida de 31 de Janeiro a 2 de Fevereiro deste ano em Addis-Abeba, a 15ª sessão ordinária desta conferência deverá realizar-se de 19 a 27 de Julho de 2010.

 

A fonte indica que os chefes de Estado africanos aceitaram a proposta apresentada pelo Uganda durante a 11ª Cimeira da UA decorrida em 2008 na cidade egípcia de Charm El-Cheikh, para albergar a 15ª sessão ordinária da organização em Kampala.

 

A União Africana considera necessário prestar todo o apoio à África do Sul enquanto organizadora do Mundial de 2010, durante o qual deverão ser exibidos "não só produtos do artesanato cultural de África como também da arte africana em geral".

 

Por isso, numa das suas recomendações ao Conselho Executivo da UA no quadro desta 14ª cimeira da organização panafricana, os embaixadores africanos reunidos no Comité de Representantes Permanentes (COREP) sugeriram que a próxima conferência não coincidisse com o Mundial 2010.

 

"As datas da fase final da Copa do Mundo a ter lugar na África do Sul em 2010 devem ser tidas em conta na fixação das datas para a próxima cimeira da União Africana agendada para Junho a Julho de 2010", refere o relatório do COREP submetido ao Conselho Executivo.

 

A segunda cimeira ordinária anual da UA é normalmente realizada entre os finais de Junho e princípios de Julho fora da sede da organização panafricana que está situada na capital etíope, Addis-Abeba.