Este blog tem como objectivo difundir a documentação de carácter desportivo
Segunda-feira, 15 DE Novembro 2010

 

 

SEMPRE igual a si, Artur Semedo relacionou o percurso brilhante da Liga Muçulmana à capacidade de aglutinar um pArtur Semedo saudado pelos seus jogadoreslantel constituído por jogadores provenientes de culturas de diferentes clubes, associada à rápida assimilação dos processos que caracterizam o seu modelo de jogo. Artur Semedo vincou que a sua equipa foi superior em todos os aspectos e que, apesar de influências que por ventura possam ter havido, a Liga Muçulmana demonstrou dentro das quatro linhas ser a melhor equipa, facto que é justificado pela sua regularidade competitiva ao longo da época acompanhado por resultados positivos comparativamente aos naturais concorrentes ao título. Na entrevista que se segue, Artur Semedo fala dos contornos na luta pelo título, da influência da arbitragem e de outros agentes.  

 

 
 

NOTÍCIAS (NOT) - A Liga Muçulmana entrou para o campeonato com jogadores maioritariamente vindos de vários clubes e alguns que transitaram da época passada. Notou-se no princípio da prova problemas de entrosamento. Como é que justifica o crescimento da Liga ao longo da competição até chegar ao título?

 

 

ARTUR SEMEDO (AS) - Esta situação de conviver com jogadores de culturas diferentes pressupõe, logo à partida, um conjunto de factores extremamente difíceis para podermos consolidar uma forma única de pensar o futebol na nossa perspectiva. Portanto, tivemos que pensar em exercer todo um processo de reformulação dos princípios do nosso treino que pudessem abranger a este vasto leque de jogadores para que pudéssemos rapidamente ter uma equipa com identidade própria e filosofia comum. Como se sabe, essas coisas não são feitas de um dia para o outro.

 

Mas, no caso vertente, tivemos um período breve de consolidação destes princípios porque a nossa tarefa enquanto técnicos foi, desde o princípio, treinar exaustivamente os princípios do nosso modelo de jogo e o que aconteceu durante a preparação foi uma resposta positiva a estes métodos novos de trabalho. Tivemos a felicidade e a sorte de podermos criar um plantel que rapidamente criou uma empatia com a equipa técnica, apesar das naturais discrepâncias que surgem quando uma equipa tem simultaneamente um novo treinador e muitos jogadores que vêm doutros clubes.

 

 

NOT – A presença de jogadores de culturas de clubes diferentes não chegou a criar algumas dúvidas em relação à luta pela conquista do título? 

 

AS – O desejo de ser campeão foi pronunciado antes mesmo de iniciarmos o trabalho. Eu disse bem alto que a minha ambição era constituir uma equipa e lutar pelo título, mas a confiar nas capacidades e potencialidades do nosso trabalho e com o perfil de jogadores que tínhamos contratado. Felizmente conseguimos uma simbiose de valores de parte a parte para podermos consumar este desejo de lutar pelo título.

 

É claro que ressaltaram dúvidas pelo facto de termos encontrado alguns constrangimentos, uns de natureza competitiva e outros ainda maiores e exteriores à própria competição. Mas, se atendermos a natureza da própria competição, nós estávamos preparados para que esta empatia entre os jogadores e o treinador fosse rapidamente conseguida e foi naturalmente o que aconteceu.

 

NOT – A postura e cultura diferentes desses jogadores não chegaram de deixar dúvidas sobre aquilo que era a sua expectativa?

 

AS – A expectativa foi sempre de fazer o melhor possível embora no nosso país ainda não haja muito rigor, ou melhor ainda não se observam em rigor todos os critérios para a contratação de jogadores. Mas tivemos alguma razoabilidade para atender a contratação destes jogadores. Quero dizer que nós nos preocupamos em trazer jogadores que à partida nos davam a garantia de assimilação rápida dos nossos processos de jogo e felizmente conseguimos.

 

 

 

NOT – Quer dizer que foi correspondido o desejo de Artur Semedo de ter jogadores que pretendia?

 

AS – Sim, na sua esmagadora maioria foram jogadores que eu indiquei na perspectiva de a curto prazo, tal como aconteceu, termos uma equipa capaz de competir com os naturais concorrentes ao título em igualdade de circunstâncias e até superando-os. Foi isso que sucedeu e só posso dizer que me sinto feliz por ter errado pouco na indicação (contratação) de jogadores.

 

NOT – Tem incisivamente destacado o seu modelo de jogo. Fale-nos dele…

AS - Na verdade, o meu modelo de jogo é feito na forma como eu entendo o futebol e concebo os meus treinos e as metodologias de trabalho para um tipo de jogo que pretendo. E para isso recorro a diversos elementos e critérios: o perfil de jogadores que me interessam para que eu consiga optimizar aquilo que penso, as condições infra-estruturais e humanas que me são disponibilizadas, tudo isso para conseguir projectar no campo aquilo que são as minhas ideias. São naturalmente diferentes de todos os outros treinadores, mas a concepção desta filosofia está intrinsecamente ligada a mim.

 

É isto que tento fazer nas equipas que treino, dotá-las de princípios de jogo de acordo com o tipo de futebol que eu pretendo. Naturalmente tenho que escolher jogadores nesta perspectiva e é isso que com a pequena margem de erro consegui fazer.

 

É claro que chegando a um clube novo, como foi o caso, houve jogadores que transitaram por motivos contratuais e tive pouca margem de manobra para poder decidir sobre o seu afastamento ou continuidade. Tive, por essas razões, que considerar alguns aspectos e, por conseguinte, a margem de erro existiu e coube-me a tarefa de atenuá-la. Por isso tenho habitualmente dito que este não é o plantel ideal, mas possível.  

 

NOT – Quer também dizer que encontrou na Liga as condições materiais e humanas suficientes para atingir este objectivo?

 

AS – Sim, e de alguma forma tive a oportunidade de me referir a esta circunstância de ter encontrado um clube que me ofereceu condições razoáveis de trabalho, quer de ponto de vista humano e infra-estrutural. Melhor do que qualquer outro clube, eu tinha à disposição um campo relvado em melhores condições e uma prontidão da direcção do clube de me elogiar. Sempre que solicitasse um jogador ou determinada ajuda a direcção reagia imediatamente. As condições materiais, embora não chegassem a níveis em que se encontram os clubes profissionais de outros patamares, foram aceitáveis para a nossa dimensão, dai que o nosso trabalho estava de alguma forma facilitado porque permitia ao treinador trabalhar com condições e um grau de probabilidade maior para o sucesso da equipa.

 

NOT – Sem as mesmas condições, Artur Semedo quase deu o título ao Desportivo na época passada. Aqui o que concorreu para que atingisse esse nível competitivo?

 

 

AS – Creio que a minha liderança teve uma importância primordial e o apoio dado pelo Desportivo contou para que tivéssemos sucesso. As condições materiais em nada ajudaram, porque treinar num campo com as condições que o Desportivo dispõe neste momento não eleva os níveis de qualidade duma equipa de futebol. Mas contei com recursos humanos e jogadores de um bom nível e ávidos de chegar a lugares de destaque no panorama futebolístico nacional.

 

Jogadores obcecados com o sucesso e com uma mentalidade ainda fértil e motivados. Isso contou para o sucesso que tivemos. Porém, houve factores externos na dinâmica do nosso trabalho que nos impediram de ser campeões. Tive a ocasião de me referir isto no fim do campeonato, embora as pessoas temem em não querer considerar aquilo que na verdade são factos concretos.

 

NOT – O suborno à arbitragem foi sempre considerado no processo de manobras de algumas equipas de contrariar a verdade desportiva. Está a referir-se aos árbitros?

 

AS – Também, em grande parte, e é bom que se comece a desmistificar esta questão de arbitragem. Todos nós sabemos que os árbitros têm uma importância considerável nas partidas de futebol. Só os leigos e os menos atentos não perceberão esta constatação. Portanto, a arbitragem tem influenciado muito na carreira das equipas para o sucesso e insucesso. Todos nós sabemos, mas muitas vezes não queremos reconhecer isso porque estamos afectos a determinados clubes.

 

Por outro lado, há outros factores que cada vez mais ganham espaço nesta dinâmica e correlação de forças no nosso futebol. Estou a falar de tráfico de influências que existe entre diversos agentes do nosso futebol. Este ano aconteceram casos que qualquer indivíduo atento pode perceber. Repare, por exemplo, aos castigos que foram aplicados a dois jogadores da Liga na véspera da ida para Vilankulo, sem que tivessem sido admoestados no jogo anterior. Isto porque houve influência de determinados agentes de outros clubes com a Liga Moçambicana de Futebol (LMF) e os dois jogadores foram suspensos.

 

Mas, num caso similar ou até pior, porque o jogador foi castigado num jogo tendo tido, salvo erro, dois cartões amarelos e, portanto, não poderia alinhar no jogo seguinte. Refiro-me a Soarito, que não sofreu nenhuma suspensão e continuou a jogar como se nada tivesse havido. E os Regulamentos, quer da LMF, quer da Federação Moçambicana de Futebol, que deviam ser uniformes, contemplam coisas diferentes.

 

Não consigo perceber se todos nós estamos sob a égide da FIFA e posteriormente da CAF, porque se estes Regulamentos estão na FMF não faz sentido que estas coisas estejam a ocorrer só por vontade de determinadas pessoas, sempre no atropelo às Leis e cometendo atrocidades para a própria competição. Portanto, se isso acontece como não teremos resultados falseados e arbitragens a influenciar as partidas?

 

 

NOT – Não exclui a hipótese de a Liga Muçulmana poder estar entre os agentes que trilham por esses caminhos, sem querer tirar o mérito pela conquista do título?

 

AS – Admito que eventualmente possa ter tido uma influência aqui ou ali. Nós estamos a falar de um sistema e nele há uma correlação de forças que não se sabe donde começa e onde termina. Há relações estranhas, isto é um labirinto entre vários agentes tal como eu disse. Mas uma coisa é certa e devo sublinhar: dentro das quatro linhas, independentemente de ter havido influência aqui ou ali, porque todos na verdade estão dentro disto, ninguém pode pôr em causa a capacidade competitiva da Liga Muçulmana.

 

A equipa foi clara e sistematicamente superior aos seus adversários em quase todos os jogos. Atacou mais e quase sempre jogou no meio-campo do adversário. Construiu inclusivamente quantidades industriais de situações de finalização. Ainda assim finalizou aquém das situações que criou. Pergunto eu, como é que uma equipa destas precisará de árbitros para ganhar jogos? Vamos atender aquilo que se passa no campo e depois tirarmos as considerações e ilações do que se passa fora das quatro linhas.

 

NOT – Nesta sua filosofia de trabalho os nomes não contam muito...!?

 

AS – Sim, repare que a Liga jogou com alguns nomes desconhecidos e jogadores que haviam sido esquecidos. Repare, por exemplo, antes de chegar ao Ferroviário de Maputo, o ponta-de-lança Chana era um jogador desconhecido e quem teve o condão de trazê-lo a este clube fui eu. Fui buscá-lo ao Ferroviário de Nampula e quase oferecido de borla. Fez épocas brilhantes no Ferroviário de Maputo mas quase se eclipsou desde a minha saída do comando técnico. Fui resgatá-lo, perdido por aí, e hoje está aí um Chana com outra ambição, alegria de jogar e outra capacidade. Talvez a minha liderança tenha o condão de fazer com que os jogadores se transmutem e passem para outro tipo de qualidade que não lhes é comum.

VAMOS REFORÇAR O PLANTEL

 

NOT – Agora o desafio são as Afrotaças. É esta Liga que Artur Semedo vai confiar para esta espinhosa missão. Qual é a ambição da equipa para esta competição?

 

AS – Como disse no princípio do ano antes de a época começar, este era o plantel possível para esta temporada. Se considerarmos que para o ano temos desafios acrescidos que exigem de nós maior responsabilidade, então teremos que reformular tudo o que fizemos este ano, requalificar de novo os nossos recursos para termos uma equipa mais competitiva e capaz de poder competir ao nível da CAF com maior dose de ambição para poder atingir patamares mais elevados do que aqueles que até hoje os nossos clubes atingiram. Ao nível internos vamos também jogar na defesa do título conquistado e isso requer cada vez mais da nossa parte empenhamento para ter uma equipa capaz de, jogado em duas frentes distintas, ser capaz de ter uma identidade própria e ambicionar em conquistar em cada uma destas frentes um lugar de destaque.

 

É isto que vou fazer, é uma luta terrível com constrangimentos naturais que vamos encontrar, porque o nosso calendário competitivo traz-nos algumas desvantagens, mas ainda sim vamos recorrer aos nossos recursos informacionais para poder atenuar estas atrocidades que vamos encontrar. Por outro lado teremos o “handcap” de simultaneamente termos que disputar o nosso campeonato nacional com jogos da Selecção Nacional à mistura, com paragens frequentes que a nossa competição interna ainda enferma para poder suplantar todos artifícios desnecessário e desfavoráveis à nossa equipa para podermos competir sempre ao nosso melhor nível. 

 

NOT – Quais são as pretensões da Liga nas Afrotaças e as condições materiais impostas por Artur Semedo à direcção da Liga para se atingir o objectivo traçado?

 

AS – Vamos ter, como eu disse, que reformular o nosso plantel, vamos fazer aquisições para elevar os níveis de qualidade competitiva da equipa. Os níveis competitivos vão ter que subir se quisermos ter sucesso nesta competição. Faremos simultaneamente aquisições locais e vamos tentar trazer de fora um e outro jogador que seja um valor acrescentado para que disputemos, sobretudo a Liga dos Campeões, com o máximo de dignidade e maior responsabilidade que passa por chegar à fase de grupos.

 

Esta é a minha ambição. Não é fácil, não porque não tenhamos capacidade nem competência para fazê-lo, mas sobretudo porque partimos em desvantagem em relação aos outros concorrentes. Uma das grandes causas desta desvantagem é o poder institucional que os nossos agentes desportivos ao nível africano ainda não detêm de ponto de vista das competições africanas ao nível da CAF (Confederação Africana de Futebol). Quero dizer com isso que nós ainda somos olhados como um parente pobre deste continente ao nível desportivo, ainda que tenhamos algumas presenças nas competições da CAF, das quais somos precocemente afastados ao nível de clubes e da Selecção Nacional. Mas tudo isto ainda não é reconhecido pela CAF e pelo continente como uma autoridade. Portanto, nós temos que aumentar o nosso poder institucional através da Federação Moçambicana de Futebol (FMF) para poder projectar o país além-fronteiras como maior respeito.

 

NOT – Significa que temos que ter mais agentes junto da CAF e da FIFA?

 

AS – Não propriamente. O poder institucional do país além fronteiras… quer dizer que as pessoas têm de olhar para Moçambique com respeito e esse poder ainda não está projectado além-fronteiras. Isto faz com que as nossas equipas sejam olhadas com algum desprezo quando participam nas competições africanas e isso influi em quem deve decidir para passarmos para cada vez mais eliminatórias. Não porque não tenhamos competência ou qualidade em muitas circunstâncias, embora tenhamos neste capítulo também algumas lacunas, porque o nível competitivo do nosso campeonato não sendo muito forte, a calendarização do nosso campeonato que não está de acordo com os calendários da CAF, faz com que estas adversidades tenham que ser diminuídas do ponto de vista informativo dos treinadores.

 

E neste capítulo nós temos também estado atrasados. Portanto, são estes aspectos que fazem com que lamentamos cada vez mais a presença das nossas equipas e talvez da nossa selecção da CAF. Não conseguimos ainda entender que temos que modificar estes pilares que devem sustentar a competição, nomeadamente o que mencionei, o quadro competitivo e a calendarização que temos. Em fim, uma série de outros meios envolventes que põem em causa a consolidação da nossa capacidade além-fronteiras.

 

 

 

 

NOT – A Liga deverá iniciar as suas actividades da época que se avizinha tão cedo tendo em conta as Afrotaças. Já elaboraram com a direcção o programa de preparação e quais os nomes de jogadores disponíveis para reforçar a equipa?

 

AS - Alguns jogadores já foram projectados por mim e a direcção para poderem ser contratados. Só não sei ainda se essas aquisições foram consumadas ou se o momento é oportuno para a divulgação dessas contratações. A serem conseguidas essas contratações vão, de certeza absoluta, constituir uma mais-valia para os desafios que temos na nova época. São em número considerável e para preencher todos os sectores. Quero jogadores novos da baliza até ao ataque. Provavelmente ficarão no clube 50 porcento de jogadores que tivemos esta época.

 

NOT – Então teremos uma sangria significativa…

 

AS - Não será uma sangria tão evidente atendendo que o nosso plantel é pequeno (21 jogadores). Aliás, muito jogadores não serão dispensados, mas sim emprestados a outros clubes, porque têm uma margem de progressão enorme. Alguns deles até competiram esta época mas, como eu disse, para as frentes em que estaremos presentes neste momento precisamos de um plantel com um número razoável para competir sem receios e sem ferir a nossa dignidade. Vamos ter um plantel de 26 jogadores.

 

NOT – Quando é que efectivamente iniciam os trabalhos?

 

AS – Dia 13 de Dezembro faremos a apresentação e o esclarecimento sobre a época. Os exames médicos decorrerão nos dias 13 e 14 para, o mais tardar, iniciarmos os trabalhos no dia 15. Faremos também pausa para os jogadores passarem o fim-do-ano e retomaremos a 3 de Janeiro com estágio na África do Sul, em princípio, por ser próximo e dispor de clubes para competir connosco antes de partimos para a primeira eliminatória.

 

 

LIGA TEVE UM ASCENDENTE MAIS DINÂMICO E PROFUNDO

 
 

NOT – Olhando para os adversários com os quais a Liga concorria para o título, com destaque para o Ferroviário de Maputo, como é que caracteriza a produção dessas equipas no campeonato e o que ditou a diferença na luta pelo título?

 

AS – Foram concorrentes que em determinado momento suscitaram nos amantes do nosso futebol alguma notoriedade. O Ferroviário provavelmente pode ter começado muito cedo a competir com a sua presença nas Afrotaças teve um percurso inicial mais acutilante, sempre com a Liga na peugada. O Maxaquene nem tanto, depois em determinado momento o Ferroviário pareceu a claudicar numa fase crucial do campeonato e, ai, a Liga teve um ascendente mais dinâmico e profundo.

 

Depois veio a última fase, durante os cinco últimos jogos, em que apareceu o Maxaquene quase ressuscitado e a sonhar com um possível desfecho bom. Mas creio que para os dirigentes e do Maxaquene isso não passou de uma miragem, embora não transparecessem isso para o público, porque apenas faltavam três jornadas para o fim da prova e muito tarde para aquilo que deviam ter projectado e consolidado antes.

 

E aí a Liga reforçou cada vez mais a sua liderança e acabou chegando ao título de forma merecida e justa. A diferença pontual da Liga em relação aos seus concorrentes reflecte bem a qualidade e competência durante o campeonato. Por isso ninguém pode pôr em causa a justeza da conquista do campeonato e todos deviam, humildemente, chegar à conclusão de que ganhamos bem a prova, ainda que este campeonato tivesse motivado comentários nada abonatórios em determinados momento em relação à Liga, não sei se motivados pelo seu comportamento nos anos anteriores à minha contratação.

 

Só que as pessoas se esqueceram que esta não era a Liga dos anos anteriores, porque este mesmo treinador da Liga sempre se bateu pela verdade desportiva e usou os métodos mais transparentes para se chegar aos resultados. Só não percebo a tendência das pessoas de querer desvirtuar aquilo que era uma constatação ao longo da época. Alguns comentadores falaram de 11 penaltes e pelo que saiba a Liga teve nas suas contas apenas seis e ficaram muitos por marcar a seu favor e alguns que mereceram da minha parte muita indignação.

 

Na verdade a Liga não precisou de penaltes, dependeu quase e exclusivamente da sua capacidade de jogar para chegar aos resultados e os indicadores não deixam margem de dúvidas, porque tivemos melhor “goal-average”, quantidades inquestionáveis de situações de finalização, potenciamos a defesa à alta, portanto muito longe da sua baliza, e por isso sofreu menos golos, com jogadores anónimos e demonstramos no fim com o nosso directo concorrente ao título que somos superiores.

 

 

 

 

VENCEMOS TUDO E TODOS

 
 

NOT – Disse no fim do campeonato que venceu tudo e todos. O que concretamente pretendeu dizer?

 

AS - Olha, há muita gente que eu incomodo muito e não gosta do meu sucesso, que não gosta de me ver a conviver com sucesso ano após ano. São alguns agentes desportivos, entre colegas e dirigentes, tudo isto motivado por um discurso que me é característico, que é incisivo, que está sempre orientado no sentido da transparência e da verdade desportiva. E estes são os pilares do desenvolvimento do futebol, porque não se pode fazer futebol com mentiras, trafulhices, traficando influências, sob pena de pormos em causa o normal desenvolvimento da modalidade.

 

Eu sinto-me na verdade ligado a estes fenómenos da melhoria do nosso futebol e, portanto, há muita gente que não gosta disso porque vive e tira dividendos do futebol e enquanto conviver com esta mediocridade essas pessoas continuarão bem. Eu sou dos que lutam contra isto desde a primeira hora que voltei ao país, porque isso não nos levará alem e é por isso que estamos neste estágio. Mas como há pessoas que retiram dividendos nestas circunstâncias querem que o futebol continue mergulhado nisto.

 

Digamos só uma pedra no sapato destas pessoas, por isso quando mais me puderem prejudicar para retirar o mérito das minhas equipas é melhor para elas, porque é uma voz que se pretende silenciada. Infelizemnte é muito difícil tirar a competência. Eu não comprei, não pedi a ninguém. Nasci com isto, é o dom que me deram, portanto nenhum humano vai me retirar. E este talento só vai se consolidando ano a ano, dai que os meus detractores, apesar de muito esforço, vão perdendo espaço de manobra e só podem conviver comigo.

  • Salvador Nhantumbo

 

 

 

Fonte:Jornal Noticias

publicado por Vaxko Zakarias às 15:12
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Sexta-feira, 05 DE Novembro 2010

textatafricaSORRISOS e lágrimas marcarão a 26ª e última jornada do Moçambola-2010. Depois de na ronda passada a Liga Muçulmana se ter sagrado campeã nacional, a questão que se levanta agora é quais serão as duas equipas que se juntarão ao despromovido Ferroviário de Pemba.

 
 

São quatro as formações que correm esse risco, nomeadamente Ferroviário da Beira (10º classificado), Textáfrica (11º), Atlético Muçulmano (12º) e FC Lichinga (13º).

Nos despiques dos aflitos, é de salientar a partida entre o Ferroviário da Beira e o Textáfrica, equipas que têm 26 pontos, curiosamente com o mesmo número de vitórias (6), empates (8) e derrotas (11). E até no “goal-average” estão igualados (sete negativos), mas os beirenses saem em vantagem por terem marcado mais golos.

 

Neste “derby” do centro do país, o factor casa pode jogar um papel fundamental na decisão do vencedor. Nesta ordem de ideias, os “locomotivas” da Beira têm a faca e o queijo na mão. O certo é quem ganhar assegura a presença no Moçambola no próximo.

 

Mas é preciso referir que até a equipa derrotada pode se manter entre a elite do futebol nacional, desde que o Atlético Muçulmano e o FC Lichinga não vençam.

O Lichinga, o único representante da província do Niassa, recebe o Ferroviário de Pemba, e tem fortes hipóteses de ganhar. Mas para sair debaixo da linha de despromoção é necessário que Atlético perca no seu duelo com o Desportivo, e haja um vencedor no Ferroviário da Beira-Textáfrica.

 

O Atlético, embora tenha pela frente um adversário de maior gabarito, o Desportivo, não depende de terceiros para se manter no grupo de elite. Uma vitória sobre os “alvi-negros” garante a permanência.

 

Nesta ronda assistir-se-á igualmente a consagração da campeã, Liga Muçulmana, numa partida frente ao Ferroviário do Maputo, que procura manter o segundo lugar, ante a ameaça do Maxaquene.

Os jogos HCB-Sporting da Beira e Vilankulo-Costa do Sol serão para cumprir calendário.

 

Fonte:Jornal Noticias

publicado por Vaxko Zakarias às 10:23
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Justino Faduco.

 

Faduco, que até chegou a locomover-se normalmente, nas consultas médicas a que foi submetido constatou-se que os ligamentos não estavam perfeitos, razão da colocação dum outro gesso, portanto o terceiro desde o acidente, devendo ser reavaliado pelos médicos no dia 26 de Novembro.

 

Depois das recomendações médicas, fiquei três meses sem gesso a fazem fisioterapia no hospital provincial de Inhambane. Pensei que tudo já tinha terminado. Mas fiquei surpreendido quando, em Junho, o médico decidiu colocar novo gesso”, conta Faduco que, agora aguarda pelos resultados da próxima consulta.

 

Já no terceiro gesso, Faduco faz apenas alguns movimentos no quintal da sua casa com ajuda de muletas. Porém, semana passada deslocou-se com apoio de amigos ao campo do Ferroviário de Inhambane para assistir ao jogo entre os “locomotivas” locais e o Estrela Vermelha de Maputo a contar para a última jornada da poule de apuramento para o Mocambola-2011.

 

Fonte:Jornal Noticias

publicado por Vaxko Zakarias às 09:25
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Sexta-feira, 29 DE Outubro 2010

maxaque e liga.

 

Por outro, está o Ferroviário da Beira ameaçado pela despromoção, depois dos resultados negativos registados nas últimas jornadas. Em suma, teremos domingo, no relvado dos “muçulmanos”, um embate de aflições antagónicas e esta ansiedade que se nutre em ambas as partes faz antever um jogo bastante emotivo.

 
 

Com as esperanças de chegar ao título estão igualmente o Ferroviário de Maputo e Maxaquene, também com missões bastante espinhosas, com destaque para os “locomotivas” da capital, que recebem o Costa do Sol, um dos seus grandes rivais que vai ressuscitando depois de um arranque desastroso que o coloca longe dos lugares cimeiros.

 

Os “tricolores” viajam ao encontro do também aflito Textáfrica, que vai minando o terreno para colher de surpresa o adversário. Com muita ansiedade estão igualmente os “locomotivas” e “tricolores” que, “a prior”, devem ganhar e aguardar pela derrota da Liga Muçulmana, tendo em conta que estão a seis pontos do seu alcance que correspondem a somente vitórias nas jornadas que sobram.

 

Na luta pela salvação estão igualmente o Atlético Muçulmano, FC Lichinga e Ferroviário de Pemba. O Atlético, em cima da “linha de água”, vai ao terreno dos “locomotivas” pembenses, que só pensam na vitória, pois a derrota ditará definitivamente o seu afastamento.

 

Na mesma situação está o FC Lichinga, penúltimo classificado, que defronta o confortável Matchedje. Os “militares” vão aproveitar o factor casa para manietarem o adversário na perspectiva de defender o quinto lugar que actualmente ocupam.

 

O Desportivo, por sua vez, recebe a HCB com o objectivo de se redimir da derrota sofrida na anterior ronda e tentar subir mais na tabela classificativa. A HCB goza de maior conforto e já tem assegurado o quarto lugar, enquanto os “alvi-negros” tentam encaixar-se no meio da tabela onde está o Vilankulo FC, seu carrasco na última jornada.

 

O Vilankulo FC, que assegurou a manutenção na derradeira ronda, vai à Beira medir forças com o Sporting local que, por seu turno, precisa de ganhar para não correr o risco de entrar na zona de maior aflição.

 

Fonte:Jornal Noticias

publicado por Vaxko Zakarias às 09:22
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Quarta-feira, 22 DE Setembro 2010

 


FC Lichinga corre sérios riscos de descer de divisão.

É uma crise sem precedentes. O FC Lichinga, ora na última posição no Moçambola-2010, com 17 pontos, corre sérios riscos de descer de divisão
.

O clube, que constitui um dos símbolos da província do Niassa, está a braços com uma crise financeira, sendo que tem uma dívida de um milhão, oitocentos e sessenta mil meticais referente a salários de jogadores e funcionários.

Os mesmos não recebem os seus ordenados desde o passado mês de Maio, situação que está a afectar o comportamento da equipa no Moçambola.

Como consequência desta crise, o clube tem sido sistematicamente afectado por greves que, muitas vezes, fazem com que a equipa técnica tenha que cancelar os treinos e não tenha tempo suficiente para preparar os jogos do Moçambola e Taça de Moçambique
.

Neste momento, a Comissão de Gestão do clube tem estado a encetar esforços junto às organizações locais, no sentido de colectar fundos para cobrir as despesas do mesmo. Porém, este exercício não tem sido suficiente para tirar o clube da penúria.

Januário Nhantsave, da Comissão de Gestão do FC Lichinga, disse ao “O País” que esta crise “não começou hoje. Portanto, é uma crise que se arrasta há já algum tempo”.

A fonte disse ainda que a mesma vem desde o período em que a “ECMEP deixou de ser patrocinador oficial. Esta empresa desapareceu ou deixou de patrocinar, porque também não tinha condições de o fazer”.

Jersild Chirindza
 
Fonte:O Pais
publicado por Vaxko Zakarias às 10:31
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O técnico da Liga Muçulmana disse também que “vamos aproveitar esta semana para fazer treinos complementares que nos possam ajudar a aprimorar mais o nosso modelo de jogo

A vitória por um a zero diante do HCB de Songo, em desafio da 21ª jornada do Moçambola-2010, colocou a Liga Muçulmana a oito pontos do Ferroviário de Maputo, segundo classificado da prova, quando faltam cinco jornadas por disputar. Pela frente, os “muçulmanos” terão ainda o Atlético Muçulmano (a quem venceram por 1-0, na 9ª jornada), FC Lichinga (perderam 1-0 na 10ª jornada), Maxaquene (venceram 1-0 na 11ª jornada ), Ferroviário de Pemba (ganharam por 1-0 na 12ª jornada) e Ferroviário de Maputo (empataram sem abertura de contagem na 13ª ronda).

São, portanto, cinco “finais” em que a Liga Muçulmana terá de esgrimir argumentos para não perder pontos e ver os seus adversários assaltarem a liderança. Para já, ainda que esteja a liderar a prova confortavelmente, Artur Semedo, treinador da Liga Muçulmana, diz ser muito cedo para encomendar as faixas de campeão.

Repare: estamos confortavelmente instalados na tabela classificativa, mas, enquanto do ponto de vista aritmético for possível os nossos adversários chegarem ao título, não podemos cantar que somos campeões”, começou por dizer, Semedo, cauteloso. Depois duma pausa, acrescenta: “ainda há muito campeonato por disputar”.

O técnico diz, contudo, que “estamos também numa posição confortável, isso é inegável e indiscutível. E, portanto, isto dá-nos segurança para podermos encarar o resto do campeonato com relativa tranquilidade. Estamos apenas no conforto”, frisou.

Este fim-de-semana, o Moçambola 2010 vai sofrer uma paragem para dar lugar à disputa das meias-finais da Taça de Moçambique.

Uma paragem que, mesmo não sendo ideal, sobretudo pelo momento que a equipa atravessa, servirá para esta aprimorar alguns aspectos. “Essencialmente, esta paragem vai servir para fazermos um trabalho que nos possibilite abordar alguns temas do nosso treino que, em condições normais, com a competição a decorrer, não temos hipóteses de fazer”, notou.

Jersild Chirindza
 
Fonte:O Pais
publicado por Vaxko Zakarias às 10:01
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Segunda-feira, 20 DE Setembro 2010

 


ENTRANDO em campo informado de mais um desaire do Ferroviário de Maputo, com toda a naturalidade a Liga Muçulmana chamou a si a responsabilidade de atacar, de modo a encarar as próximas jornadas com relativa tranquilidade. Assim pensado, melhor executado. Com Paíto fora do “onze” inicial, coube a Carlitos e Nelson, no miolo, Silvério e Micas, nas laterais, o papel de municiar o jogo ofensivo dos anfitriões, alimentando com regular frequência a dupla formada por Maurício e Chana. Mussá Osman respondeu com um meio-campo musculado, que tinha em Henry e Gito os principais municiadores da dupla Mavó/Amílcar, enquanto lá atrás Mucuapele comandava uma defensa experiente.



Fruto da sua disposição avançada no terreno, a Liga Muçulmana construiu várias oportunidades de golo, mas Maurício, a atravessar um mau momento, não conseguia concluir as jogadas com êxito. Chana, quando solicitado, rematava torto
.

Aos 11 minutos, o defesa Calima oferece a bola a Micas e este, apenas com o guarda-redes Chico pela frente, remata frouxo. No contra-ataque, Henry isola Amílcar para rematar sobre a barra.

Os “muçulmanos” aceleraram ainda mais a velocidade do jogo, todavia, no momento do toque final continuavam desatinados com a baliza, à excepção de um pontapé bem colocado de Carlitos, desviado por Calima sobre a linha de golo.

Na segunda parte, a Liga Muçulmana persistiu em empurrar o jogo para o meio-campo adversário e as jogadas de contra-ataque da HCB reduziram substancialmente, de tal sorte que Amílcar se transformou num brinquedo sob controlo de Fanuel e Narciso.

Na marcação de um canto, a bola foi embater na mão de Mavó, o árbitro Amosse Lázaro entendeu que o jogador desviou a bola voluntariamente e assinalou grande penalidade. Carlitos rematou certeiro para o golo solitário do desafio.

Em desvantagem, Mussá Osman fez alterações no seu xadrez e os jogadores avançaram mais no terreno, a ponto de Amílcar, desmarcado por Mavó, desperdiçar mais uma clara oportunidade de golo, ao desviar o esférico contra o corpo de Neco
.

Pressionados, os pupilos de Artur Semedo perderam o controlo do desafio e limitaram-se a despachar as jogadas, mas, pela pressão do tempo, os jogadores da HCB não souberam tirar proveito deste mau momento do adversário.

Nas contas finais, ficaram por marcar pelo menos cinco golos, sobretudo pelos dianteiros Maurício, Chana e Amílcar, que se deram uma folga chata para os adeptos
.

O árbitro Amosse Lázaro controlou o desafio, contudo, a grande penalidade por si assinalada foi duvidosa, sobretudo porque não exibiu o cartão amarelo a Mavó, quando a jogada deu-se na pequena área e a bola seguia para a baliza.

FICHA TÉCNICA



Árbitro
: Amosse Lázaro, assistido por Célio Mugabe e Daniel Viegas. Quarto árbitro: Arlindo Silvano.

LIGA MUÇULMANA
– Neco; Silvério, Fanuel, Narciso e Vling; Cantoná (Mayunda), Nelson e Carlitos; Maurício (Paíto) e Chana (Massitara).

HCB – Chico; Calima, Elídio (Zuma), Mucuapele e Dangalira; Gito (Marlon), Henry, Ngoni (Andro); Amílcar e Mavó.

Acção disciplinar: cartão amarelo para Nelson e Mavó.

CUSTÓDIO MUGABE
 
Fonte:Jornal Noticias
publicado por Vaxko Zakarias às 14:35
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QUE mal vos fez o intervalo”, é o que os milhares de adeptos presentes no Estádio da Machava deviam estar a dizer no final da partida. Os 15 minutos de descanso não serviram, de certeza, para os jogadores recarregarem as forças e voltarem a proporcionar uma excelente propaganda de futebol, à semelhança do que tinha acontecido no primeiro tempo. Antes pelo contrário, a inspiração e o sentido competitivo parecem ter ficado no balneário.



Foi visível na face dos adeptos, sobretudo do Ferroviário, que precisavam de vencer para manter vivo o sonho do “tri”, alguma tristeza e desilusão pelo facto de a “locomotiva” não ter estado tão afinada na etapa complementar.

Mas o decréscimo das duas equipas pode ser justificado pelo facto de a primeira parte ter sido disputada a um ritmo estonteante. Nesse período, sim! Houve futebol, jogadas individuais e colectivas de belo efeito. E, para adoçar o apetite dos espectadores, foram servidos golos de belo recorte técnico, um dos quais uma raridade neste Moçambola, senão mesmo inédito.

Aos 29 minutos, Munino é chamado a marcar um pontapé de canto pela direita. E, em vez de meter a bola no “barulho”, fê-lo directamente para a baliza. O guarda-redes Mohamad, assim como os seus colegas, foi apanhado de surpresa com esta bela execução do jovem “alvi-negro”. Este golo veio abrilhantar um clássico que, desde o primeiro minuto, estava a ser agradável de ser ver, com as duas equipas a jogarem ao ataque e a criar situações claras de golo. O Ferroviário pode queixar-se de si próprio por não ter aberto o marcador, já que Luís e Ítalo, aos 15 e 18 minutos, respectivamente, desperdiçaram soberanas oportunidades de marcar.

Todavia, ficou a impressão de que os comandados de Chiquinho Conde precisavam de ser beliscados para se encontrarem com o golo. É que, no minuto seguinte, ao tento “alvi-negro”, Luís, a fazer lembrar um búfalo ferido, surgiu explosivo na grande área, dominou a bola e com muita arte passou pelo “keeper” Gervásio e fez o empate. Estavam transcorridos 30 minutos. Dentro de campo o jogo animava e nas bancadas a vibração feita ao som de algumas vuvuzelas aumentava os ânimos.

Antes do final da primeira parte ainda houve espaço para dois lances de golo certo. A primeira pertenceu aos verde-e-brancos, aos 39 minutos, com Jerry a ser o protagonista e, aos 43, foi a vez de Santos, cara-a-cara com o “keeper”, rematar por cima. A avaliar pela produção ofensiva dos primeiros 45 minutos, um empate a duas bolas se encaixaria melhor.

Entretanto, os indicadores faziam antever uma segunda parte ainda mais apimentada. Foi pena que isso tivesse ficado apenas pela imaginação, porque o segundo período foi mesmo descolorido. O jogo baixou claramente de qualidade e até chegou a dar sono.

João Armando, árbitro do encontro, realizou um bom trabalho.

FICHA TÉCNICA

Árbitro: João Armando, auxiliado por Júlio Muianga e Estrela Gonçalves. Quarto árbitro: Sérgio Lopes.

FERROVIÁRIO – Mohamad; Jotamo, Tony, Fred e Zabula (Butana); Whisky, Momed Hagy, Danito Parruque e Ítalo (Imo); Luís e Jerry.

DESPORTIVO – Gervásio; Zainadine Júnior, Emídio, Munino e James; César Bento, Abílio, Muandro e Isac (Dino); Santos (Binó) e Félix (Jojó).

Golos: Munino (29 m) e Luís (30 m).

IVO TAVARES
 
Fonte:Jornal Noticias
publicado por Vaxko Zakarias às 14:30
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ESTÁ cada vez mais aprazível a sinfonia inteligentemente interpretada pela Liga Muçulmana no Moçambola-2010. As vitórias vão lhe caindo com naturalidade e a sua pontuação mais gorda e o fosso maior em relação ao segundo classificado, o Ferroviário de Maputo, que não tem sabido primar pela regularidade.



Na 21ª jornada, os “muçulmanos” souberam tirar partido da igualdade (1-1) dos “locomotivas”, sábado, no Estádio da Machava, face ao Desportivo, ganhando ontem à HCB do Songo por 1-0, na transformação de uma grande penalidade.

Agora com uma vantagem de oito pontos (50-42), a equipa de Artur Semedo, em paralelo com os fortes argumentos que será obrigado a esgrimir diante dos seus adversários, se efectivamente está interessado em chegar ao título sem sobressaltos, colocar-se-á na bancada a assistir à prometedora luta entre Ferroviário e Maxaquene, pois, separados por apenas um ponto, espevitar-se-ão para um confronto directo entre si e que pode muito bem ser aproveitado pela Liga Muçulmana para a sua fuga.

Os “tricolores” também precisaram de um penalte para ganhar ao FC Lichinga, um resultado que constituiu um autêntico sufoco ao representante do Niassa, uma vez que foi desterrado para o posto de “lanterna vermelha”, em troca com o Ferroviário de Pemba.

Os “locomotivas” de Cabo Delgado, que pela primeira vez no campeonato saíram da última posição, derrotaram o Sporting das Beira por 2-1, propondo-se a iniciar uma nova fase na sua tentativa de permanência no convívio dos grandes.

O mesmo sucede com o Atlético Muçulmano, que foi ao Chiveve bater o Ferroviário da Beira por 1-0, porém, insuficiente para assustar o Textáfrica, já que este também venceu – coincidentemente, pelo mesmo resultado de uma bola sem resposta – o Vilankulo FC, em partida realizada no campo do Ferroviário da Manga, na Beira, devido à interdição imposta ao campo da Soalpo pelo Conselho de Disciplina da Liga Moçambicana de Futebol. Mais um triunfo na sua boa campanha foi conseguido pelo Matchedje, vitorioso diante do Costa do Sol por 1-0, mantendo-se na quinta posição
.

Na classificação, Liga Muçulmana soma 50 pontos, seguido do Ferroviário de Maputo com 42, Maxaquene 41, HCB 36, Matchedje 29, Sporting e Desportivo 26, Costa do Sol 25, Ferroviário da Beira 24, Vilankulo FC 23, Textáfrica 22, e, abaixo da linha de água, Atlético Muçulmano 20, Ferroviário de Pemba 18 e FC Lichinga 17.

No próximo fim-de-semana não haverá Moçambola, em virtude da realização das meias-finais da Taça de Moçambique, com os desafios Maxaquene-Textáfrica e FC Lichinga-Vilankulo FC
.

O campeonato regressa nos dias 2 e 3 de Outubro, com a 22ª jornada, compreendendo os jogos Atlético Muçulmano-Liga Muçulmana, Maxaquene-Ferroviário de Maputo, Vilankulo FC-Matchedje, Costa do Sol-Ferroviário de Pemba, Sporting-Desportivo, HCB-Textáfrica e FC Lichinga-Ferroviário da Beira.
 
Fonte:Jornal Noticias
publicado por Vaxko Zakarias às 14:12
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O ÁRBITRO Paiva Dias acabou sentenciando a vitória do Maxaquene sobre o FC Lichinga, ao assinalar uma grande penalidade inexistente. Foi uma oferta de bandeja, pois o central Sadique fez o papel que lhe convinha naquele lance, em que Kito, após tabelinha com Tony, atirou na direcção certa da baliza e o defensor do Lichinga tirou o esférico na linha de golo.



Inconformado com a situação, Kito ainda tentou ir atrás do prejuízo e, com a intenção bem estudada, uma vez que já tinha perdido a posse da bola, atirou-se sobre Sadique que, ainda sob pressão, anulou a jogada. Ao invés de penalizar a atitude do jogador “tricolor”, Paiva Dias assinalou o castigo máximo, alegando um empurrão de Sadique sobre Kito. E acabou sendo o mesmo a cobrar e com sucesso, aos 52 minutos.

Como se não bastasse, Paiva Dias ainda exibiu cartolina amarela a Sadique e a mais um colega seu (Maninho), que protestou veemente a injustiça do juiz da partida e que acabou sufocando a esperança dos visitantes de sair pelo menos com um ponto.

O Maxaquene até mereceu a vitória, pois oportunidades para tal não lhe faltaram. São vários os lances em que tanto Kito como Tony apareceram em posição privilegiada para marcar, porém, o fácil tornou-se o mais difícil, falhando mesmo na boca da baliza
.

O primeiro sinal de golo pertenceu a Emmanuel que, na sequência de um centro bem colocado de Kito, atirou forte contra o poste e, na recarga, Tony rematou por cima, à passagem do minuto 20.

Este foi o único lance clarividente que o Maxaquene registou na primeira parte, durante a qual encontrou dificuldades de traduzir na prática as suas intenções e a encontrar alguma resposta do FC Lichinga que, por seu turno, tentava impor o seu jogo e aproveitar as falhas do adversário, daí que tenha aparecido algumas vezes junto à baliza de Soarito, com destaque para o lance em que o atacante Cássimo atirou para as nuvens, dentro da grande área
.

Na segunda parte, o Maxaquene, para além da oferta do penalte, desperdiçou inúmeras chances e, neste período, o ataque estava bem reforçado com a entrada de Reginaldo, que passou a fazer a dupla com Tony, ocupando o lugar de Liberty, que recuou para apoiar o meio-campo. Foi uma boa lição de Arnaldo Salvado, pois o caudal ofensivo “tricolor” aumentou. Mas, infelizmente, as falhas prevaleceram no capítulo da concretização e o Maxaquene acabou não conseguindo justificar a vitória que, para nós, foi à custa do juiz da partida.


FICHA TÉCNICA


Árbitro: Paiva Dias, auxiliado por Ivo Francisco e João Abreu. Quarto árbitro: Virgílio Absalão.

MAXAQUENE – Soarito; Vasil, Campira, Gabito e Eusébio; Kito, Macamito, Alvarito (Clarêncio) e Emmanuel (Reginaldo); Liberty e Tony.

FC Lichinga – Jorge; Alex, Sadique, Adji e Chimbeta; Maninho (Kikito), Fedo, Zé Maria (Skaba), Nando Macie (Paúnde) e Rachid; Cássimo.

Acção disciplinar: cartão amarelo para Eusébio, Macamito, Alvarito, Alex, Sadique e Maninho.

SALVADOR NHANTUMBO
 
Fonte:Jornal Noticias
publicado por Vaxko Zakarias às 14:04
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