Este blog tem como objectivo difundir a documentação de carácter desportivo
Quinta-feira, 03 DE Novembro 2016

 

DE visita a Moçambique para tratar assuntos pessoais e rever familiares e amigos que raramente tem com eles convivido, Argentina (Tina) da Glória, uma das melhor atletas moçambicanas das últimas três décadas, nos 400, 800 e 1500 metros, actualmente a residir e trabalhar na Itália, cedeu uma longa entrevista ao “Notícias”, doravante Not, na qual fala da sua carreira, vida na Europa, passagens pelos Estados Unidos e Brasil e planos para o futuro.

 

Tina da Glória sublinha que a sua carreira foi discreta devido à sua forte aposta nos estudos que lhe conferiram um nível superior em tecnologias de informação e o consequente emprego, que segundo ela confere-lhe boas condições de vida.

 

Ainda nesta conversa, a ex-atleta, agora com 39 anos, fala do desporto, em particular o atletismo no nosso país, apontando o que possa estar a falhar e o que deve ser melhorado. Em relação ao regresso à terra que o viu nascer confessa que não há planos para o efeito, para já, garantindo que o seu futuro próximo passa por Itália, embora não feche a hipótese de voltar, numa altura em que se prepara para tirar curso de treinadora de atletismo.

 

Siga a entrevista, na qual Argentina da Glória, doravante Tina, recorda com muita dor os Mundiais de Estugarda (1993) onde foi atropelada por uma adversária já perto da meta, perdendo dessa forma a medalha de ouro, na única ocasião em que esteve próxima de ganhar algo num evento planetário.

 

NOT: Quando é que iniciou a sua carreira?

 

Tina: Comecei a carreira no início dos anos 1990, primeiro como basquetista em Chimoio, mas logo despertei o interesse do Desportivo de Maputo depois de um Campeonato Nacional que teve lugar na Beira.

 

Chegado ao Desportivo, a minha ambição era de vingar na equipa e alcançar a Selecção Nacional, mas na época o basquetebol feminino nacional era muito forte, com muito boas jogadoras. No Desportivo não tive muitas hipóteses como basquetebolista e um técnico (Alexandre Mata) que estava lá na altura desafiou-me a tentar sorte noutras modalidades. Escolhi o atletismo, e dei-me bem.

 

NOT: Pode falar da sua trajectória durante a carreira?

 

Tina: Competi pouco tempo cá no país, tive sorte de beneficiar de uma Bolsa de Solidariedade Olímpica que me levou a emigrar para os Estados Unidos, em 1994, onde continuei a carreira de atleta aliada aos estudos em Atlanta. Depois fui para Manaus, no Brasil, e nos finais dos anos 90 (1998) fui para Itália, onde desde 2009 vivo de forma permanente.

 

Not: O que lhe marcou na carreira?

 

Tina: Primeiro queria realçar que tive uma carreira discreta. Isso deveu-se ao facto de sempre ter aliado o atletismo com os estudos. Não assumi muito o profissionalismo, embora ao nível que cheguei era necessário que fosse profissional. Mas o evento que me marcou foi o Mundial de 1993 em Estugarda, na Alemanha, no qual fui atropelada por uma atleta chinesa quando estava embalada rumo à meta. Perdi possibilidade de ter uma medalha de ouro num Mundial e, isso afectou-me bastante até porque ainda era muito nova e não mais estive tão próximo do sucesso planetário.

 

Not: Não mais conseguiu medalha num Mundial?

 

Tina: Não, infelizmente, como disse a minha aposta nos estudos teria comprometido de certa forma o meu potencial, por isso que digo que a minha carreira acabou sendo discreta, não foi como a da Lurdes, por exemplo. Tive medalhas nas competições africanas, em 1993, em Durban, ganhei ouro nos 400 metros. Em 1995, venci prata no Zimbabwe, e repeti a proeza em 1997, na Argélia. No Africano de Harare fiquei atrás da Lurdes Mutola que ganhou ouro.

 

Not: A dada altura andou longe dos holofotes por onde estava?

 

Tina: Como havia dito, saí cedo do país (1994) e desde essa altura para cá, nunca mais tive um contacto muito próximo com Moçambique. Fiz a vida toda fora e continuo a fazê-la. Agora vivo na Itália, na província de Trento, no norte, depois de ter vivido nos Estados Unidos e no Brasil e quando terminei a carreira tive a felicidade de conseguir um emprego na Itália, país que passei a gostar graças ao meu agente que é natural de lá.

 

Not: quando é que termina a carreira?

 

Tina: Termino a carreira internacional em 2009, mas continuei a competir a nível de Itália até 2012, já com 35 anos. Já sentia dificuldades de enfrentar os mais novos pois a idade já pesava e tinha nos planos outras coisas, como o trabalho, pois já me havia formado em tecnologias de informação, que é isso que faço na empresa onde trabalho.

 

Not: Está feliz na Itália?

 

Tina: Estou muito feliz. Tenho emprego, amigos e boas condições de vida. Não me posso queixar, até porque tenho sido bem tratada por todos. Tudo isso graças ao desporto, coisa maravilhosa que se pode praticar. Foi o desporto que me fez conhecer pessoas, lugares e a ser o que sou hoje.

 

 

 

Fonte:Jornal Noticias

publicado por Vaxko Zakarias às 10:50
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NA Itália desde 2009, mas no estrangeiro desde 1994, Tina da Glória não pensa, para já, em regressar ao país, pois há muita coisa que ainda está a fazer na Itália, no contexto da preparação do seu futuro, mas garante que a longo prazo poderá regressar. Afirma que tem um plano antigo de criar uma instituição para beneficiar jovens atletas nacionais em bolsas de estudo e para competir no estrangeiro, por forma a melhorar a sua performance.

 

Not: Pensa em regressar a Moçambique?

 

Tina: Para ser sincero, para já não. Nos próximos anos estarei na Itália, e depois disso não se sabe. Quero ficar algum tempo em Moçambique, mas não sei quando estarei de volta definitivamente. Tenho imensas saudades desta terra, mas em enfim, é a vida.

 

Not: Sabe alguma coisa do desporto nacional, em particular do atletismo?

 

Tina: Sei que não temos ido além nas competições internacionais, pois os resultados não aparecem. É uma situação má, pois Moçambique chegou a ser conhecido internacionalmente pelo atletismo. Estive nos jogos do Rio de Janeiro, mas foi-me difícil ver a bandeira de Moçambique naquele evento, passamos despercebidos, pois não temos dado conta do recado. Nota-se que falta algo para se levantar o nosso desporto, o atletismo em particular. Temos de criar um projecto sólido e ter uma boa estrutura no dirigismo, pois sem isso não haverá milagres, o marasmo irá continuar. Temos, por outro lado, de ter atletas dispostos a sofrer, pois no desporto não há obra do acaso, sem sacrifício, não há sucesso.

 

Not: Agora que determinou a carreira não pensa em ter uma Fundação ou Academia desportiva?

 

Tina: Gostaria de ter um projecto, talvez mais próximo à Fundação, mas que não seja necessariamente, envolvendo rapazes e raparigas e através do qual possam ter bolsas para estudar e competir no estrangeiro. Esse é um projecto já antigo que tenho, mas que ainda não se está a implementar porque estou ocupada com outras coisas neste momento. Estou a me formar para ser massagista, em 16 técnicas de massagem. Faltam-me seis. Depois disso quero fazer curso de treinador, pois no futuro pretendo ser treinadora de atletismo. Depois do curso irei trabalhar, quer na Itália, Moçambique, ou noutra parte do mundo, desde que tenha propostas interessantes.

 

DESPORTO É A ESTRADA MAIS FÁCIL QUE EXISTE

 

Tina terminou a entrevista apelando aos jovens que pretendem abraçar o desporto á perseverança, pois segundo ela não há sucesso sem esforço na vida atlética, ao mesmo tempo recorda-lhes que o desportivo é a estrada mais fácil que existe na vida, pois pode abrir muitas portas.

 

Not: que apelo gostaria de endereçar aos mais novos?

 

Tina:Talvez recordar aos jovens e muitas outras pessoas que o desporto é a estrada mais fácil que existe na vida, pois através dele pode se chegar a um patamar inimaginável. Eu particularmente, conheci pessoas, lugares, estudei e ganhei dinheiro através do desporto. Não me arrependo pelo caminho que segui, penso que é o mais correcto. Dizer ainda que estou disponível para ajudar aos técnicos de atletismo moçambicanos a conseguir bolsas para a formação no estrangeiro ou mesmo a vir se formar na Itália. Estarei de braços abertos até para hospedá-los na minha casa e ajudá-los naquilo que possam necessitar durante a estadia, pois estariam a fazer algo para o bem do nosso desporto. Em relação ao desporto nacional em geral, apelou mais seriedade a todos os actores.

 

 

Fonte:Jornal Noticias

publicado por Vaxko Zakarias às 10:44
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AS acusações do treinador da União Desportiva do Songo, Artur Semedo, aos irmãos Sidat, nomeadamente Rafik e Shafee, de alegadamente decidirem tudo no Moçambola, desde o campeão até as equipas que sobem e descem de divisão, já estão sob o cuidado do Conselho de Disciplina da Liga Moçambicana de Futebol (LMF), segundo o presidente do organismo, Ananias Couana.

 

Couana lamenta o facto de mesmo com insistência da LMF no sentido de os técnicos e outros agentes desportivos limitarem-se a caraterizar o que aconteceu dentro das quatro linhas no final de cada jogo, haja muita renitência, como foi o que aconteceu com Artur Semedo após a perca do título que se atirou aos irmãos Sidat.

 

Em termos dos pronunciamentos, nós, numa primeira fase, recordámos a todos os agentes desportivos que devem ter uma linguagem cuidada quando estiverem a falar do jogo. E o que insistimos, e voltamos a insistir, é que se deve falar daquilo que aconteceu dentro das quatro linhas. Avaliar o desempenho da sua equipa, dos seus jogadores, até o mérito ou demérito do adversário, o que é bom. Mas, infelizmente, tivemos esta situação na penúltima jornada em que o treinador (… Artur Semedo) disse que o campeonato era montado. Isso nos preocupa, e nos preocupa que ele explique como é que isso é montado, pois diz que a situação do campeão, quem sobe e desce é armada, e conhece as pessoas que fazem isso. Ele terá que explicar, pois estamos preocupados em saber isso”, disse.

 

Ananias Couana afirmou, por outro lado, que não está preocupado em relação ao campeão, pois o Ferroviário da Beira foi a equipa mais regular e os números provam isso.

 

“’Em relação ao resultado da prova, o Ferroviário da Beira campeão, não estamos preocupados, pois olhámos para aquilo o que foi a regularidade do campeonato. Nas últimas jornadas, o Ferroviário da Beira foi crescendo e a União Desportiva do Songo não evoluiu, teve quatro derrotas consecutivas. Portanto, para nós isso é que demonstra que não conseguiram, de facto, os pontos necessários para serem campeões. O Ferroviário da Beira tem maior número de pontos, de golos marcados e menos sofridos, tem mais vitórias, não foi campeão por empates, foi por triunfos, ou seja, este é para a Liga Moçambicana de Futebol (LMF), o justo campeão. Não podemos tirar o mérito deste clube”, esclareceu.

 

A finalizar, sublinhou que as declarações de Semedo estão a ser apreciadas pelo Conselho de Disciplina e que a LMF aguarda com expectativa o veredicto final.

 

A nível da LMF temos um órgão de disciplina, que é o Conselho de disciplina, que logo que tomou conhecimento das declarações de mister Semedo, abriu um processo de inquérito para que os visados e a pessoa que trouxe a tona esta informação sejam averiguados. Por outro lado, podemos questionar se é que ele sabia quem toma decisões sobre o nosso futebol são aquelas duas figuras (Rafik e Shafee Sidat) porque é que ele continuou, no campeonato mesmo com vantagem de seis pontos na ponta final, sabendo que há quem depois vai tomar a decisão de campeão? Essas são algumas questões que podemos avançar, mas para não distrairmos o trabalho desta comissão vamos aguardar com toda a expectativa que tenhamos um resultado, e o assunto seja esclarecido para o povo moçambicano”, disse Ananias Couana.

 

 

 

Fonte:Jornal Noticias

publicado por Vaxko Zakarias às 10:39
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