Este blog tem como objectivo difundir a documentação de carácter desportivo
Quarta-feira, 23 DE Março 2011

 

 

Joaquim João

 

 

 

O ANTIGO capitãodo Ferroviário de Maputo e da Selecção Nacional de Futebol, Joaquim João, diz que quando completar 60 anos de idade, em 2012, irá colocar ponto final à sua carreira no futebol, iniciada na década de 60, como jogador, e que se prolongou até aos dias de hoje, já na qualidade de treinador.
 
 
 

Recentemente, no decurso da Assembleia Geral Extraordinária do Ferroviário de Inhambane, onde trabalha há três épocas. JJ, como é carinhosamente tratado, deitou lágrimas devido àquilo que, na ocasião, considerou de maus tratos no clube. Foram lágrimas que contagiaram toda a sala, isto é, quase todos os sócios presentes no encontro também choraram, inclusive o presidente da Mesa, Mohamed Rashid Sulemane, que se encarregou de recordar aos associados quem era de facto Joaquim João.

Sobre este e outros factos relacionados com a sua carreira à frente dos “locomotivas” da “terra da boa gente”, convidamos JJ para a conversa que se segue:

 

NOTÍCIAS (NOT) – “Mister”, afinal, o que veio fazer no Ferroviário de Inhambane?


JOAQUIM JOÃO (JJ) – Bom, em primeiro lugar gostaria de pedir desculpas aos moçambicanos, em especial aos amantes do futebol, pela atitude que tive durante a Assembleia Geral. Fiquei muito emocionado e não dominei os nervos. Foi uma atitude espontânea e involuntária. Na verdade, um comandante não chora perante o seu exército. Verga, mas não cai. Por isso, estou proibido de deitar lágrimas em qualquer batalha onde estiver. Devo estar preparado para enfrentar todas as adversidades. Portanto, que o povo me perdoe pela minha atitude, mas devo também agradecer, do fundo do coração, a solidariedade que recebi. O meu telefone ficou sem espaço de tantas mensagens que recebi de todo o país, de dirigentes políticos e desportivos.

 

NOT - Mas por que chorou?


JJ – Provavelmente uma frustração por não ter conseguido concretizar os objectivos da época passada. Talvez tenha sido isso, mas a verdade é que muitas lágrimas banharam os meus olhos e não mais consegui falar. É aborrecido planificar uma coisa e não conseguir atingir as metas. Para mim, na época passada morremos na praia. Perdemos seis pontos em casa e fomos buscar outros seis lá fora. Veja que perdemos o primeiro jogo, com o Incomáti, já nos minutos de compensação, depois de estarmos a ganhar até aos 92 minutos. Sinceramente! Para quem viu o jogo, nada previa que iríamos perder. Portanto, forças externas podem ter estado por detrás da nossa prestação na “poule” de apuramento ao Moçambola-2011.

 

NOT - Como é que o “mister” chega a Inhambane?


JJ - Em 2008, fui convidado pelo Eng. Rachid, antigo dirigente do Ferroviário e reformado dos CFM, para abraçar um projecto da zona sul e que consistia na qualificação do Ferroviário de Inhambane para o Moçambola. Nesse ano, liderámos o Campeonato da Divisão de Honra até à sétima jornada, mas terminámos em quinto lugar, numa prova ganha pelo Matchedje. No ano seguinte, ombreamos com o Vilankulo FC e perdemos. Quero realçar que, nessa época, muitos atletas oriundos de Maputo abandonaram o clube. Então, apostámos nos juniores e tivemos aquela prestação que todos conhecem.

 

Não perdemos o Campeonato Provincial com o Vilankulo, mas sim com o Chilacua de Massinga, porque, em confrontos directos com aquele, ficamos empatados: perdemos na primeira volta em Vilankulo e ganhámos em Inhambane, mas, no fim, ficamos a três pontos deles. No ano passado, tivemos aqueles problemas por demais conhecidos: ganhámos todos os jogos fora e perdemos todos em casa, falhando assim o Moçambola. Na minha planificação, em 2011, o Ferroviário de Inhambane devia disputar o Campeonato Nacional. Fiz tudo, só um milagre que até hoje não tenho explicação negou-me o apuramento.

 

NOT - Está a admitir a possibilidade de ter sido sabotado?


JJ - Talvez sim. É um pouco estranho o que nos aconteceu. Fiquei sem saber se perdemos os jogos em casa porque jogamos mal ou porque os adversários foram superiores, pois derrotamo-los no seu terreno.

INHAMBANE SEMPRE ME ACARINHOU

 

 
 

NOT - Como é que são as suas relações profissionais com a Direcção do Clube?


JJ – Excelentes! Nunca tive problemas com o Ferroviário. Eu, Joaquim João, sempre cultivei boas relações por onde passo. Sou pacífico e faço amizades sempre. Mesmo no meu tempo de jogador, era duro sobre a bola para apoquentar os pontas-de-lança perigosos, mas nunca fui faltoso. Nunca vi cartão vermelho porque bati um colega dentro das quatro linhas. Todos somos colegas, apesar de todos precisarmos de ganhar o jogo. Portanto, desde essa altura até hoje não sou zaragateiro e não sou confuso. Em Inhambane, estou bem, sinto-me bem e sempre fui acarinhado.

 

NOT – Talvez tenha sido esta a razão das suas lágrimas na Assembleia Geral…


JJ - Não tenho explicação. Fiquei emocionado e não pude conter as lágrimas. Aliás, todos sabem muito bem que o Ferroviário não tinha dinheiro para custear as despesas na “poule” de apuramento. Depois do primeiro jogo em casa, anunciou-se o fim da nossa participação. Mas o Governo Provincial criou condições para a nossa continuidade, pagando todas as despesas, incluindo prémios de jogos e até de golos. Tivemos problemas de material, mais concretamente botas, mas um simpatizante, jovem deputado da Assembleia da República, ofereceu-nos 15 pares e voltamos a jogar bem. Só perdemos porque perdemos. Então, provavelmente por tudo isto me tenham caído as lágrimas, porque estava tudo encaminhado para disputarmos o Moçambola-2011.

 

NOT - Como tem sido o seu relacionamento com os Caminhos de Ferro de Moçambique?


JJ - Sou o que sou hoje graças aos CFM. Pelo reconhecimento da minha prestação no Ferroviário de Maputo e na Selecção Nacional, os CFM nunca me fecharam as portas, sempre estiveram ao meu lado. Por isso, quero aproveitar esta oportunidade para endereçar o meu muito obrigado por tudo quanto fizeram e fazem por mim.

 

NOT - Portanto, está tudo bem consigo?


JJ – Eu, pessoalmente, não tenho problemas. É possível que haja alguém que não esteja a gostar da minha presença no Ferroviário de Inhambane. Mas, se existe, não pode ser dos CFM, porque quem me mandou para este projecto é um dirigente com reputação na empresa. Quanto aos salários, quis recordar à Assembleia Geral o que ainda não recebi. Tão simples como isso.

 

NOT - Qual é o projecto para a presente temporada?


JJ - Virar os canos para a formação, apostando na prata da casa. Vamos respeitar os limites orçamentais da empresa. Todavia, faremos esta formação participando também no Campeonato Provincial.

 

 

PROBLEMA DO FUTEBOL RESIDE NOS DIRIGENTES

 

 

NOT – Que análise faz ao actual estágio do nosso futebol?


JJ - O problema do nosso futebol não está nos jogadores nem nos treinadores, mas sim no dirigismo. O que acontece, actualmente, é que tudo é feito na base de amiguismo. Pouco ou nada se faz com determinação e interesse para a formação dos jogadores. Todos os clubes investem na alta competição e negligenciam a formação.

 

NOT – Então, concorda com Artur Semedo quando afirma que a prestação da sua equipa nas Afrotaças é reflexo global do estágio do futebol nacional?


JJ - Sem dúvidas! Ele está certo, concordo com ele. O que fizeram as nossas equipas nas Afrotaças é exactamente aquilo que Moçambique sabe fazer e aquilo que acontece com a nossa selecção. É necessário que haja dirigentes comprometidos com o futebol e não com outras coisas. Deve se investir na formação, não só dos jogadores como também dos treinadores. Temos que ter infra-estruturas à altura. Desde que cheguei à cidade de Maputo conheci o campo do Desportivo daquela maneira e até hoje nada mudou - com todo o respeito que tenho para com os seus sócios e dirigentes, em especial Michel Grispos.

 

NOT – Desse modo, o que deve ser feito?


JJ - É preciso unir as massas para falar do futebol. Vamos à formação, que afinal é a base de sustentação da nossa selecção. A geração do CAN Egipto-86, se pudesse voltar a envergar a camisola nacional, ganharia todos os campeonatos africanos e seria cliente assíduo dos campeonatos mundiais. Não estou a desprezar os actuais jogadores, mas as condições que hoje existem no futebol nós não tivemos. Em tempo de crise, com problemas de fome, guerra e calções que mais pareciam fatos de banho, conseguimos levar o país ao primeiro CAN. Que o diga os meus colegas Calton, Geraldo Conde, Chiquinho Conde, Chababe, Ferreira, Nuro Americano, entre outros.

 

NOT - Durante a Assembleia-Geral do Ferroviário de Inhambane anunciou a sua pretensão de abandonar o futebol. Para quando está marcada a despedida?


JJ - Estou a ponderar seriamente a ideia. Penso que quando completar 60 anos, facto que acontecerá em 2012, irei também sair do barulho do futebol. Não me vou desligar por completo, porque dificilmente poderei viver sem futebol, é onde passei a maior parte da minha vida. A ideia é sair do banco técnico e ficar, por exemplo, apenas nas camadas inferiores para emprestar a minha experiência e ensinar as crianças como se forma o Homem. Agora, eu não sou apenas treinador, mas sim educador e pai dos meus atletas, ensinando-lhes também algo sobre a conduta social.

BI DE JJ

 

 
 

JOAQUIM João Fernandes nasceu a 1 de Outubro de 1952, no distrito de Mopeia, província da Zambézia. Começou a sua carreira futebolística no Ferroviário de Quelimane e, em 1969, chega à capital do país, para alinhar pelo Ferroviário.

Durante 20 anos foi jogador activo, dos quais 10 ostentando a braçadeira de capitão dos “locomotivas” e da selecção nacional. Teve uma passagem de uma época pelo Maxaquene.

 

Em reconhecimento aos seus feitos, foi galardoado com a Ordem Nachingweia.

JJ esteve presente na assinatura dos Acordos de Nkomati, em 1984, entre os Governos moçambicano e sul-africano. Foi várias vezes convidado para cerimónias de Estado na Ponta Vermelha, assim como para a investidura dos Presidentes Joaquim Chissano e Armando Guebuza.

Foi internacional 42 vezes, membro do Conselho Nacional do Desporto, destacado num texto do livro da quarta classe do novo sistema de educação e ícone dos 35 melhores jogadores do país.

  • Victorino Xavier

Fonte:Jornal Noticias

publicado por Vaxko Zakarias às 14:45
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