Este blog tem como objectivo difundir a documentação de carácter desportivo
Terça-feira, 19 DE Janeiro 2010


EMBORA as exibições se apaguem com o tempo, ficando para a história os resultados, religiosamente, ainda guardamos na nossa retina a espectacular exibição dos “Mambas” diante do Egipto, na noite de sábado, no Estádio Nacional de Ombaka, em Benguela.

Os campeões africanos, com a sua experiência, astúcia e uma extraordinária força de vontade, ganharam por 2-0, golos de Dário Khan, na própria baliza, aos 46 minutos, e de Gedo, aos 80, no entanto, nomeadamente no decurso do primeiro tempo, viram a sua supremacia posta em causa, quando a turma moçambicana pôs no relvado o seu futebol bonito, passes precisos e desmarcações bem coordenadas.

Para essa magnífica noite da nossa selecção, porém, destroçada na segunda parte quando o virtuosismo dos “Faraós” realmente veio ao de cima, uma excelente contribuição veio do “trinco” Simão, que foi o artífice da equipa na muralha que se ergueu sobre a zona frontal à baliza de Kampango, bem como na interligação entre a defesa e a linha intermediária.

Com uma actuação cinco estrelas, Simão foi de uma classe invejável, acabando por ser a melhor unidade entre os moçambicanos.

Determinado e com uma visão clara sobre o jogo, isto é, óptimo a defender e excelente a sair com o esférico da retaguarda para construir lances de ataque, o central do Panathinaikos teve uma contribuição extremamente valiosa para a primeira parte de luxo dos “Mambas”.

A sua combinação com os colegas de trás, nomeadamente os centrais Dário Khan e Mexer, bem como com o sector intermédio, simbolizado por Dominguez, foi primorosa, proporcionando à equipa solidez na retaguarda, espaço e rapidez na execução de contra-ataques. Por outro lado, o seu desenho físico e a segurança no controlo do esférico eram suficientes para os egípcios lhe concederem o necessário respeito, principalmente Zidan, ao se ver sem grandes possibilidades de penetração pelo corredor central.

MEXER… MEXE

Dois tentos sofridos, o primeiro na sequência de uma traição de um colega e o segundo numa violenta e bem colocada meia-volta de Gedo, não retiram a Kampango uma nota alta diante dos perigosíssimos “Faraós”. Boa colocação entre os postes e defesas valentes aos remates de Meteeb, Zidan, Shikabala, Ahmed Hassan e Gedo fizeram com que o nosso guarda-redes arrancasse estrondosos aplausos. Nos pontapés de canto, Kampango sempre esteve atento, saindo com os punhos para congelar o perigo.

Apesar da sua determinação e de não virar a cara à luta, Dário Khan voltou a manchar a sua actuação com o tento na própria baliza, pela segunda vez consecutiva. Atrapalhou-se e até chegou a recorrer ao anti-jogo devido ao estonteante futebol egípcio, nomeadamente nas entradas bem urdidas de Meteeb e na imprevisibilidade de Ahmed Hassan. Mexer evidenciou uma grande segurança e de novo espantou pela sua calma nas saídas com a bola devidamente controlada. Tecnicamente bem dotado, enfrentou os adversários cara-a-cara, utilizando o corpo para os ludibriar.

Pelo flanco esquerdo, Paíto esteve em alta no período áureo da equipa, combinando perfeitamente com Miro, apesar deste, por vezes, fugisse para o eixo central, isto é, fora do seu lugar preferido. Como habitualmente, dos seus pés saíram cruzamentos para a área de El Hadary, mas sem sucesso. Quando os “Mambas” sentiram a supremacia egípcia, Paíto também teve um baque, faltando-lhe claramente forças para continuar a protagonizar as suas subidas galopantes.

No lado oposto, Campira também soube explorar a sua excelente capacidade ofensiva, situação que obrigou os árabes a reduzir os contra-ataques, ficando toda a criatividade à responsabilidade do “play-maker” Ahmed Hassan. Campira teve uma jogada de extraordinário esforço que somente não resultou em golo porque o árbitro assinalou fora-de-jogo a Josimar, depois de este ter introduzido o esférico na baliza e “todo o mundo”golo.

CHAMA EFÉMERA

O público benguelense já conhece o n° 7 de Moçambique. Cada vez que Dominguez toca na bola, os espectadores ficam excitados. Ficam à espera de maravilhas. Arregalam os olhos para se deliciarem das suas fintas, mas também não escondem o seu desapontamento quando essa criatividade acaba não tendo a devida sequência. Por regra, Dominguez não é individualista, porém, ocasiões há em que se deslumbra e não solta o esférico, mesmo tendo um colega desmarcado. Atentos à sua espectacularidade, os egípcios criaram à sua volta uma verdadeira teia, oferecendo-lhe pouco espaço de manobra. Resultado: a sua chama não passou de um sucesso efémero, mesmo com o seu visível esforço de nunca baixar os braços.

Com contra-ataques bem desenhados, Genito esteve bem na transposição de jogadas do meio-campo para frente. A sua acção contribuiu decisivamente para o momento alto da turma moçambicana, sobretudo na precisão do passe. Por várias vezes solicitou Gonçalves, mas este, sozinho entre as “torres gémeas” egípcias, mostrava-se incapaz de dar sequência a essas jogadas. Miro enfrentou a oposição de Fathi, eleito melhor jogador em campo, assim como de Moawad, empolgando-se pouco, sob o risco de comprometer na contra-ofensiva egípcia. Estranhamente, jogou um pouco deslocado do seu lugar habitual, indo para o interior do relvado, situação que terá contribuído para a sua pouca clarividência.

Não devidamente recuperado da convulsão estomacal que o apoquentou na véspera da contenda, Tico-Tico jogou atrás de Gonçalves e à frente dos meio-campistas. Uma forma não comum de estar do capitão dos “Mambas”, provavelmente para aparecer pouco no jogo.

Com a inteligência dos seus pés, procurou fazer jogar a equipa, através de rotações no corredor central para depois meter a bola para os flancos ou para a intervenção do solitário Gonçalves, mas nem sempre com êxito, dada a defesa à zona que os “Faraós” crivavam nessas circunstâncias. Sozinho, Gonçalves foi bastante sacrificado. Despejavam-se as bolas “por mar, terra e ar”**, só que, coitado, nada podia fazer perante a compacta defesa contrária. Como alternativa, recorria a faltas ou pura e simplesmente se deixava cair.

Josimar foi o primeiro a sair do banco para as quatro linhas, em subsituação de Gonçalves. Trouxe alguma substância ao ataque da selecção e, juntamente com Dominguez e Genito, formou a linha da frente, após a saída de Tico-Tico. Este foi rendido por Momed Hagy, sem, no entanto, conseguir modificar o estado de letargia em que se encontrava a equipa nessa altura. Danito Parruque foi outra unidade lançada para o rectângulo, no lugar de Genito, quando ambos os contendores já se achavam conformados com o resultado.
publicado por Vaxko Zakarias às 14:18
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