Este blog tem como objectivo difundir a documentação de carácter desportivo
Segunda-feira, 25 DE Janeiro 2010

INEVITAVELMENTE, hoje é o dia do “se” para os moçambicanos. Isto porque se – e aí está o condicional – tivéssemos nos qualificado para os quartos-de-final a nossa atenção, pelo país fora, estaria euforicamente concentrada naquilo que os “Mambas” fariam diante do adversário que lhes tiver calhado, na condição de vencedor ou de segundo classificado do Grupo “C”.

Todavia, como tal não sucedeu – embarcamos de regresso a casa mais cedo – vamos ficar, na bancada ou diante do televisor, para hoje acompanharmos o evoluir dos nossos “carrascos” Egipto e Nigéria, que decidem mais um passo rumo à concretização do seu objectivo de conquistar o título. Os campeões africanos jogam no Estádio Nacional de Ombaka, em Benguela, com a Zâmbia, a partir das 17.00 horas (18.00 de Maputo), numa noite que se perspectiva de futebol espectacular e extremamente fascinante, quando se encontrarem na Tundavala, no Lubango, os gigantes Camarões e Nigéria, duas das formações constituídas por estrelas das mais cintilantes do continente.

Depois de, ontem, Luanda e Cabinda se terem deleitado com a primeira vaga dos desafios dos quartos-de-final, a vez, hoje, cabe aos adeptos benguelenses e lubanguenses, por sinal, com um envolvimento extraordinário no apoio aos “Mambas” nos seus três embates da primeira fase: os primeiros, frente ao Benin (2-2) e ao Egipto (0-2) e os segundos quando incrivelmente fomos derrotados pela Nigéria por três bolas sem resposta.

Agora, para os intervenientes na prova não há contemplações. É a fase do “mata-mata”, das eliminatórias e de requerer um cuidado muito especial. Se os 90 minutos não forem suficientes para se achar um vencedor, o recurso são 30 minutos de prolongamento, que poderão ser sucedidos de grandes penalidades caso até aí não haja vencedor. Portanto, como se pode depreender, trata-se de uma etapa bastante delicada acima de tudo responsável.

Em Benguela, certamente que os egípcios já conquistaram corações dos adeptos locais. Todas as suas partidas foram até aqui efectuadas em Ombaka, pelo que, apesar de a Zâmbia ser um país vizinho de Angola, os “Faraós” poderão contar com uma forte falange de apoio. Donos de um futebol bonito, alegre, pragmático e de trato fácil, os campeões africanos apresentar-se-ão nas quatro linhas com uma certa dose de favoritismo, sendo certo que a vitória será sua, a menos que ocorra um cataclismo.

O estilo de jogo dos egípcios, caracterizado por muita troca de bola, constantes e estonteantes mudanças de velocidade e de flancos, representarão uma grande complicação para os zambianos, que se qualificaram para os quartos-de-final de forma inesperada e num grupo que acabou sendo espectacularmente equilibrado.

A matreirice e o futebol envolvente dos pupilos de Hassan Shehata serão determinantes para o seu triunfo, até porque não se registam preocupações relacionadas com lesões. Jogadores como o capitão e maestro Ahmed Hassan – que joga em todas as posições – Meteeb, Zidan, Shikabala, Fathi, Gomaa, Moawad, Hosni, Gedo e o guarda-redes El Hadary – até aqui só sofreu um golo – estarão na sua plenitude e prontos para fazer a diferença, numa equipa muito segura a defender e bastante rápida e perigosa a atacar, fazendo-o primorosamente e com a precisão necessária.

Única selecção somente com vitórias no campeonato, Egipto derrotou, sucessivamente, Nigéria por 3-1, Moçambique e Benin pela mesma marca de duas bolas sem resposta. Marcou sete golos e sofre um.

Em relação à Zâmbia, nossa bem conhecida de embates da Taça Castle e que, curiosamente, leva uma grande vantagem sobre nós, menosprezá-la seria um gravíssimo erro. Os “Chipolopolo” são aguerridos e lutam até às últimas consequências. Dinâmica na intermediária, graças à acção de Felix Katongo e de Clifford Mulenga, a turma de Hervé Renard tem em Jacob Mulenga a sua principal jóia na frente atacante e que, seguramente, merecerá a atenção dos egípcios.

Os zambianos apuraram-se como segundo classificados do Grupo “D”, numa jornada cheia de emoção e de incertezas. Começaram a prova empatando 0-0 com Tunísia e a seguir perderam (2-3) com os Camarões, ao permitirem uma magnífica recuperação de Samuel Eto’o e companhia. Depois, no fim, no dia de todas as decisões, ganharam ao Gabão por 2-1. Somaram quatro pontos, marcaram cinco tentos e sofreram outros tantos.

CHUVA OU SISMO NO LUBANGO?

A cidade do Lubango é conhecida pelo seu clima de altitude, acompanhada de muito frio e chuvas constantes, pelo menos neste período do ano. Durante os dias em que a nossa selecção lá esteve, sempre choveu torrencialmente, mas o que de bom os deus huílanos fizeram foi o seguinte: nenhuma chuva durante os jogos e um relvado bom a prática de futebol, devido à funcionalidade da drenagem colocada no Estádio Nacional da Tundavala. Aliás, nessas circunstâncias, é o visível o esforço dos técnicos – encarregados pela construção do completo – na vigilância para determinadas situações que possam pôr em risco o desenrolar do campeonato.

Os Camarões, cabeças-de-série do Grupo “D”, assentaram arraiais nesta cidade e gozam de uma fenomenal simpatia. As suas estrelas, tal como Samuel Eto’o, o líder da banda, Rigobert Song e o seu sobrinho Alex – como cresceu e como seu fez um magnífico futebolista o rapaz! – Idrissou, Njidap, Emana, entre outras, fascinaram as gentes lubanguenses, daí o grande apoio que certamente terão esta noite, a partir das 20.30 horas locais (21.30 de Maputo), quando defrontarem a Nigéria. Testemunhámos esse facto no desafio contra a Tunísia, que terminou empatado 0-0 e ditou o afastamento das “Águias do Cartago”, em que a esmagadora maioria dos espectadores esteve ao lado dos “Leões Indomáveis”.

O jogo de hoje é de capital importância para ambos os conjuntos, candidatos ao título. O desfecho é absolutamente imprevisível e o que se espera, no Lubango, para além da habitual chuva, é que ocorra um sismo, tal é a luta que se perspectiva entre estes colossos.

Se os artistas de cada lado estiverem verdadeiramente inspirados, o espectáculo dentro das quatro linhas será uma realidade indissolúvel, apesar de tanto Camarões como Nigéria terem tido uma primeira fase pouco brilhante.

Há quem defenda que, normalmente, formações desta estirpe somente procuram a qualificação, para, a partir daí, mostrarem o que de facto valem. Estamos à espera de viver esse momento de sonho que “Leões Indomáveis” e “Super Águias” nos reservaram hoje na Tundavala.

Os camaroneses são mais atacantes, pecando, no entanto, por direccionar tudo para Samuel Eto’o. É verdade que, realmente, o avançado do Inter de Milão resolve as mais difíceis situações, mas, de sobreaviso, os nigerianos não deixarão de oferecer uma atenção especialíssima a este artífice.

Idrissou é outra peça fundamental e de desequilíbrio na frente atacante, num time que tem em Alex Song uma segurança formidável na intermediária, prevendo-se por isso um diálogo interessante com Obi Mikel, o armador do jogo da Nigéria.

Os Camarões, vencedores do Grupo “D” com quatro pontos – os mesmos da Zâmbia e do Gabão – foram surpreendidos pelos gaboneses na jornada inaugural, perdendo por uma bola sem resposta. A seguir, precisaram de apelar à sua divindade para ultrapassar os zambianos por 3-2, após terem estado a perder. Finalmente, empataram 2-2 com a Tunísia, numa partida em que tiveram o infortúnio de oferecer um golo ao adversário. Tal como a Zâmbia, marcaram cinco golos e sofreram outros cinco.

A Nigéria não foi, no decorrer da primeira fase, aquela Nigéria que nos habituou a grandes exibições. Na estreia, perante o Egipto, esteve a vencer por 1-0, porém, permitiu a reviravolta, acabando por perder 1-3. Contra o Benin, ganhou por apenas 1-0, na transformação de uma grande penalidade. Mas a sua fome de golos terminaria em fartura diante de Moçambique, ao vencer por 3-0. Resumindo, cinco golos marcados e três sofridos.

Por aquilo que se perspectiva, o técnico Amadou Shuaibu não deverá apresentar um onze diferente daquele que jogou contra os “Mambas”, uma vez ter estado mais consentâneo com a realidade dos nigerianos. Por essa razão, teremos, para além dos habituais Obi Mikel, Yakubu, Obasi, Etuhu, Yusuf, Peter Odemwingie – o verdadeiro “carrasco” de Moçambique -, Shittu e do guarda-redes Enyeama, os craques Obafemi Martins e Victor Nsofor provavelmente como primeira opção, já que se encaixaram integralmente e ajudaram a equipa a se desenvencilhar de um adversário mordaz e que na primeira parte, em particular, desfrutou de alguma superioridade em certas fases da contenda.

Recorde-se que as meias-finais terão lugar na quinta-feira, uma em Luanda e outra em Benguela, para o desafio de atribuição do terceiro lugar acontecer no sábado, na cidade das acácias rubras e a final no domingo, no Estádio Nacional 11 de Novembro, na capital angolana.

ALEXANDRE ZANDAMELA, em Luanda
publicado por Vaxko Zakarias às 17:21
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